“Negro Sujo! Mãe, olhe um negro!
Estou com medo, ele vai me comer..."
'O meu corpo foi devolvido para mim despedaçado, distorcido, naquela manhã de inverno'.
Qualquer pessoa negra no Brasil entenderá aonde quero chegar com a frase acima, retirada do clássico Pele negra, máscara branca, de Franz Fanon. A maneira como o corpo negro é lido, consumido, devorado nos nossos encontros diários com a violência mostra como funciona a economia do racismo brasileiro. Mas não é aí que eu quero chegar. Tanto Franz Fanon, quanto qualquer jovem negro nas periferias urbanas desta terra sabem que mesmo se quisessemos apagar a palavra 'raça' do nosso vocabulário político, haveria sempre uma arma, ou um dedo, apontada a nos indicar nossa posição subalterna e inferior.
Quando 'nossos' intelectuais brancos defendem uma ingênua – embora não neutra e não menos cínica – descartabilidade da categoria raça do vocabulário político, partem de uma posição privilegiada de quem não precisa ser confrontado com a realidade diária dessa ficção. Interpolados como negros nos encontros diários com o terror, re-significamos tal categoria como instrumento estratégico de luta contra o racismo. Ainda que quiséssemos, estamos longe de apagar ‘raça’ do nosso vocabulário porque raça define posiçoes sociais e acessos ao poder. Dadas as estatisticas da violência, raça define quem vive e quem morre. O texto abaixo representa um destes encontros com raça:
De Fanon a Marcos Antonio da Silva:
“Olá, aproveito a mensagem enviada por uma amiga para relatar o que aconteceu comigo na noite de ontem(11/03, quarta) na avenida Hélio Prates: Um policial militar que acabava de sair de seu turno, dirigia seu carro atrás do meu nesta avenida que se encontrava vazia por voalt das 23:30h. De repente percebi que este dava luz alta, como estávamos passando por uma barreira eletrônica e logo em seguido por um radar no cruzamento da L norte com a M norte achei que fosse algo relacionado com a velocidade.
Logo depois o policial alinhou o seu carro ao lado do meu e ameaçou me multar dizendo que eu tinha de ter dado passagem para ele. disse a ele que a velocidade é controlada por radar e que estávamos num perímetro com uma barreira eletrônica e um pardal muito próximos, logo ninguém podia exceder na velocidade e sim reduzir.
Logo a frente o semáforo fechou e o policial começou a me ameaçar verbalmente e eu respondi que ele fizesse o que bem achasse melhor, se irritou por eu não me curvar diante de sua coerção.
Ele desceu do carro dele, puxou e me apontou a arma e me mandou descer do carro com as mãos na cabeça. Neste instante eu sai do carro e disse a ele que não faria o que ele estava mandando, mostrei para ele que era militar, me identifiquei, o semáfaro abriu e continuamos ali, ele insistindo em me humilhar e me tratar como um bandido, em nenhum momento me curvei, gritei para todos os motoristas próximos que ele, o pollicial, estava me coagindo, usando de abuso de poder. ele ligou para os comparças dele para me prender.
Peguei meus documentos e corri para a 17ª delegacia que fica bem próximo ao semáforo, chegando lá contei que o policial estava a me maltratar e pedi abrigo. Um agente foi até ele e com ele conversou, voltaram os dois e conversamos, quis fazer um B.O, o agente se negou alegando que não era preciso que tudo poderia se resolver ali, de forma amigável. Não insisti, pois estava muito revoltado com tudo aquilo, só lhe falei que uma farda e uma arma não me assegurava que quem a usa é um policial, poderia ser um bandido. Disse a ele que não era um moleque, que conhecia meus direitos e exigi respeito. No fundo ele queria que eu me curvasse e eu não me curvei, exigi que ele se identificasse também e isso o irritou,pois ele se achava o dono da situação. ele foi embora e depois de alguns minutos fui eu.
Foi muito ruim, eu estava só diante de policiais, policiais que eu não confio 100%. Se eu não estivesse próximo a uma delegacia, ele seria capaz de me maltratar, até me matar e alegar legítima defesa. Não me sinto seguro, não me sinto respeitado. eu só sou mais um neste submundo. ‘Deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar’ (Marcelo D2).
Abraços cor de ébano”.
13 de mar. de 2009
4 de mar. de 2009
Miriam Leitão e o Mercado: a doutrina que seduz
Direto ao ponto:
Eu particularmente sou fã da Miriam Leitão quando fala sobre a opressão racial no Brasil. Meu primeiro encontro com a jornalista global foi quando da minha passagem pela Educafro como assessor de coordenação e a Miriam veio a São Paulo para a cerimônia na Câmara de Vereadores quando da entrega de titulo de cidadão paulistano ao frei David. A Miriam fez um discurso eloquente e como sempre, foi direto ao ponto.
O que não me agrada na jornalista global é a contradição trágica entre a sua defesa da justiça racial no Brasil e sua posição radicalmente conservadora, irritante, na defesa do Deus-Mercado. Quem vê a Miriam nos telejornais da ‘grobo’ defendendo a ditadura do mercado (e aqui se inclue o pacote da violência neoliberal: cortes sociais, aperto nos gastos públicos, privatizações, flexibilizacão das leis de trabalho....) não entende tamanha disparidade de raciocínio.
A justiça social para o povo negro não pode e não é dissociada da ruptura com um modelo perverso que joga nossa gente nas ruas, nas favelas, no desemprego, nas prisões, nas estatísticas da morte. Defender ‘as regras do jogo’ do mercado - e sua ética da conveniência como se vê na atual (eterna) crise - e ao mesmo tempo defender a bandeira do povo negro é brincar com uma luta histórica pelo direito `a existência; uma luta que tem na distribuiçao dos bens econômicos e na reconfiguração de poder uma das principais razões de ser.
Quando ocupamos ruas e praças na luta pela igualdade de condições, não estamos apenas buscando o direito `a diferença e `a igualdade abstrata em um modelo de sociedade inerentemente anti-negritude. Queremos um outro modelo de sociedade que tenha a justiça como princípio. O modelo atual - tão bem defendido pela/os jornalistas do mercado – representa a antítese da libertação do povo negro! O Deus-Mercado é a outra face da "doutrina que seduz"!
Eu particularmente sou fã da Miriam Leitão quando fala sobre a opressão racial no Brasil. Meu primeiro encontro com a jornalista global foi quando da minha passagem pela Educafro como assessor de coordenação e a Miriam veio a São Paulo para a cerimônia na Câmara de Vereadores quando da entrega de titulo de cidadão paulistano ao frei David. A Miriam fez um discurso eloquente e como sempre, foi direto ao ponto.
O que não me agrada na jornalista global é a contradição trágica entre a sua defesa da justiça racial no Brasil e sua posição radicalmente conservadora, irritante, na defesa do Deus-Mercado. Quem vê a Miriam nos telejornais da ‘grobo’ defendendo a ditadura do mercado (e aqui se inclue o pacote da violência neoliberal: cortes sociais, aperto nos gastos públicos, privatizações, flexibilizacão das leis de trabalho....) não entende tamanha disparidade de raciocínio.
A justiça social para o povo negro não pode e não é dissociada da ruptura com um modelo perverso que joga nossa gente nas ruas, nas favelas, no desemprego, nas prisões, nas estatísticas da morte. Defender ‘as regras do jogo’ do mercado - e sua ética da conveniência como se vê na atual (eterna) crise - e ao mesmo tempo defender a bandeira do povo negro é brincar com uma luta histórica pelo direito `a existência; uma luta que tem na distribuiçao dos bens econômicos e na reconfiguração de poder uma das principais razões de ser.
Quando ocupamos ruas e praças na luta pela igualdade de condições, não estamos apenas buscando o direito `a diferença e `a igualdade abstrata em um modelo de sociedade inerentemente anti-negritude. Queremos um outro modelo de sociedade que tenha a justiça como princípio. O modelo atual - tão bem defendido pela/os jornalistas do mercado – representa a antítese da libertação do povo negro! O Deus-Mercado é a outra face da "doutrina que seduz"!
O terror nosso de cada dia
Por Lélia Gonzalez
Fonte: http://www.irohin.org.br
Negra baiana, baixinha, ágil, cheia de graça. Bonita de uma beleza que se espraiava pelo corpo forte e bem feito (enxuto, melhor dizendo), pelo sorriso gostoso e matreiro, pelo olhar agudo e luminoso. Inteligência, sensibilidade e competência profissional, enriquecidas no tempero de uma exuberante alegria de viver. Conheci Tininha há alguns anos atrás em casa de um amigo, onde ela trabalhava como diarista.
Categorias ocidentais como empregada doméstica, criada, auxiliar ou qualquer coisa do gênero, criadas pelas classes dominantes, não tinham nada a ver com ela concretamente. Afinal, ela sempre escolhia o tipo de “patronagem” que queria ter, acabando por comandar as ações nas casas onde trabalhava, e mesmo fora delas. Não me esqueço do dia em que entrei numa butique em Ipanema, e lá estava Tininha, com tudo em cima, gerenciando os negócios da patroa. Lembrei-me, então, de suas ancestrais iorubas. Talvez porque ela nunca se iludiu a respeito de sua condição de mulher negra numa sociedade como a nossa.
Nascida e criada em Salvador, onde se casou, o marido a abandonou, deixando-a com quatro filhos. Em busca de um futuro melhor, Tininha veio para o Rio com suas crianças. E foi à luta. Trabalho duro, dupla jornada. Conheceu um novo amor, que durou um bom tempo e lhe deu mais três filhos. Sempre que podia, ela voltava à cidade natal para rever a mãe que lá ficara. Isto, graças ao fato das crianças irem crescendo e trabalharem para ajudar em casa.
Assim, no final de março deste ano, Tininha partiu para Salvador, deixando o filho mais velho, Jorge, com a tarefa de cuidar dos irmãos menores. Mal chegou ao Curuzu. Um telefonema e uma passagem aérea (dada pela patroa que a chamara) obrigaram-na a voltar. Duas noites após a partida de Tininha, alguns homens bateram à porta de sua casa em Nilópolis, Baixada Fluminense. Não era tarde, mas Jorge, que passara o dia carregando/descarregando caixas da Brahma, já estava deitado. Levantou-se, abriu a janela e, desculpando-se por não abrir a porta pelo fato de não os conhecer, perguntou-lhes o que queriam. A resposta foram dois tiros à queima-roupa. Eram policiais. Mas por que Jorge, trabalhador sério, com carteira assinada e tão querido por todos do lugar?
Jorge havia cometido um erro fatal. Tirara uma foto ao lado de alguém procurado pela polícia, após um jogo de futebol, num angu comemorativo da vitória do time local. Na busca do “bandido”, os policiais, depois de invadirem e quebrarem o que puderam em sua casa, forçaram sua mãe a lhes dar uma foto do filho. E ela só tinha uma, a do campo de futebol. E Jorge, trabalhador negro, arrimo de família, filho e irmão dedicado, não soube porque foi assassinado. A imprensa silenciou sobre esse “acidente de trabalho”.
Em junho, num encontro do Movimento Negro da Baixada Fluminense, justamente a respeito da violência policial, foram apresentados os seguintes dados a respeito dos corpos de “justiçados” que deram entrada no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, no período entre 01/01 a 31/01: 305 brancos, 635 negros e 170 não identificados. E todos sabem que uma verdadeira guerra de extermínio instaurou-se de 15 de março para cá e da qual nem nossas crianças negras escapam. Quatro delas feridas no morro da Mangueira e, para culminar, o assassinato brutal, com um tiro na testa, de Estela Márcia dos Santos, 13 anos, no morro do Tuiuti. “É a polícia do Moreira”, diz o povão.
Quanto a Tininha, mandou os filhos para Salvador. Enquanto isso, desenvolve verdadeira peregrinação junto ao Inamps, para conseguir a magra pensão de Jorge, a que ela e os filhos menores têm direito. Profundamente revoltada, ela insiste e não desiste. Só depois, então, retornará a Salvador, ao encontro da “Negrice cristal/Liberdade-Curuzu”.
Fonte: Jornal Raça & Classe, Brasília, ano 1(2):8,1987.
Reproduzido do irohin em: http://www.irohin.org.br
Fonte: http://www.irohin.org.br
Negra baiana, baixinha, ágil, cheia de graça. Bonita de uma beleza que se espraiava pelo corpo forte e bem feito (enxuto, melhor dizendo), pelo sorriso gostoso e matreiro, pelo olhar agudo e luminoso. Inteligência, sensibilidade e competência profissional, enriquecidas no tempero de uma exuberante alegria de viver. Conheci Tininha há alguns anos atrás em casa de um amigo, onde ela trabalhava como diarista.
Categorias ocidentais como empregada doméstica, criada, auxiliar ou qualquer coisa do gênero, criadas pelas classes dominantes, não tinham nada a ver com ela concretamente. Afinal, ela sempre escolhia o tipo de “patronagem” que queria ter, acabando por comandar as ações nas casas onde trabalhava, e mesmo fora delas. Não me esqueço do dia em que entrei numa butique em Ipanema, e lá estava Tininha, com tudo em cima, gerenciando os negócios da patroa. Lembrei-me, então, de suas ancestrais iorubas. Talvez porque ela nunca se iludiu a respeito de sua condição de mulher negra numa sociedade como a nossa.
Nascida e criada em Salvador, onde se casou, o marido a abandonou, deixando-a com quatro filhos. Em busca de um futuro melhor, Tininha veio para o Rio com suas crianças. E foi à luta. Trabalho duro, dupla jornada. Conheceu um novo amor, que durou um bom tempo e lhe deu mais três filhos. Sempre que podia, ela voltava à cidade natal para rever a mãe que lá ficara. Isto, graças ao fato das crianças irem crescendo e trabalharem para ajudar em casa.
Assim, no final de março deste ano, Tininha partiu para Salvador, deixando o filho mais velho, Jorge, com a tarefa de cuidar dos irmãos menores. Mal chegou ao Curuzu. Um telefonema e uma passagem aérea (dada pela patroa que a chamara) obrigaram-na a voltar. Duas noites após a partida de Tininha, alguns homens bateram à porta de sua casa em Nilópolis, Baixada Fluminense. Não era tarde, mas Jorge, que passara o dia carregando/descarregando caixas da Brahma, já estava deitado. Levantou-se, abriu a janela e, desculpando-se por não abrir a porta pelo fato de não os conhecer, perguntou-lhes o que queriam. A resposta foram dois tiros à queima-roupa. Eram policiais. Mas por que Jorge, trabalhador sério, com carteira assinada e tão querido por todos do lugar?
Jorge havia cometido um erro fatal. Tirara uma foto ao lado de alguém procurado pela polícia, após um jogo de futebol, num angu comemorativo da vitória do time local. Na busca do “bandido”, os policiais, depois de invadirem e quebrarem o que puderam em sua casa, forçaram sua mãe a lhes dar uma foto do filho. E ela só tinha uma, a do campo de futebol. E Jorge, trabalhador negro, arrimo de família, filho e irmão dedicado, não soube porque foi assassinado. A imprensa silenciou sobre esse “acidente de trabalho”.
Em junho, num encontro do Movimento Negro da Baixada Fluminense, justamente a respeito da violência policial, foram apresentados os seguintes dados a respeito dos corpos de “justiçados” que deram entrada no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, no período entre 01/01 a 31/01: 305 brancos, 635 negros e 170 não identificados. E todos sabem que uma verdadeira guerra de extermínio instaurou-se de 15 de março para cá e da qual nem nossas crianças negras escapam. Quatro delas feridas no morro da Mangueira e, para culminar, o assassinato brutal, com um tiro na testa, de Estela Márcia dos Santos, 13 anos, no morro do Tuiuti. “É a polícia do Moreira”, diz o povão.
Quanto a Tininha, mandou os filhos para Salvador. Enquanto isso, desenvolve verdadeira peregrinação junto ao Inamps, para conseguir a magra pensão de Jorge, a que ela e os filhos menores têm direito. Profundamente revoltada, ela insiste e não desiste. Só depois, então, retornará a Salvador, ao encontro da “Negrice cristal/Liberdade-Curuzu”.
Fonte: Jornal Raça & Classe, Brasília, ano 1(2):8,1987.
Reproduzido do irohin em: http://www.irohin.org.br
13 de fev. de 2009
Isis Aparecida Conceição: a mulher que desafiou a USP
Isis Aparecida Conceição,moradora da periferia paulistana, ex-aluna da Educafro,advogada do Tribunal de Justiça, mestre em Direito pela Universidade de São Paulo. Somente ela sabe o quão dificil foi driblar a monstruosidade do racismo institucional da USP. A Universidade segue imbatível com seu guetto eurocêntrico e seu cinismo cruel. A USP é mantida com dinheiro público. Ao transferir verbas arrecardadas dos impostos da coletividade (parte do ICMS paulista vai direto para USP, Unesp e Unicamp) para os filhos da elite, o governo de Sao Paulo se transforma em uma espécie de Robin Hood `as avessas: tira dos pobres e dá aos ricos. Negros ali? Ah, sim: o jardineiro,o porteiro, o motorista da reitora, a copeira, e a nossa Isis.
É hora de ocupação permanente da USP! Cotas já!
Cuidado, a paz é fruto da justiça.....
Clique AQUI e assista a reportagem.
É hora de ocupação permanente da USP! Cotas já!
Cuidado, a paz é fruto da justiça.....
Clique AQUI e assista a reportagem.
2 de fev. de 2009
O boi pelo bife: A midia grande no confronto em Paraisópolis:

Há um ditado africano direto e certo: enquanto os leões não tiverem os seus próprios contadores de história, os caçadores serão sempre os vencedores.
A cobertura do Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo - os dois jornalões da paulicéia elite desvairada – na repressão policial da manifestação dos moradores da favela de Paraisópolis na zona sul de Sampa, faz o ditado africano cair como uma luva aqui. Quem perder tempo lendo Folha e Estado verá que as notícias são contadas do ponto de vista oficial. As fotos, tomadas da posição geográfica da polícia dão a dimensão de que ponto de vista falam os jornalistas de ambos jornais. Nem uma linha, nem que seja para disfaçar, questionando a polícia sobre a morte de um morador dias antes, preso com um carro roubado em uma operação policial. Fizessem jornalismo de fato, Folha e Estado não justificariam as depredações e disturbios `a ‘ordem pública’, mas ajudariam seus leitores a contextualizar os fatos. Temos, ao contrário, o que Perseu Abramo chamaria de passar o ‘o boi pelo bife’, ou seja, não mente, edita. Não inventa,faz-se crer que pelas vozes oficiais a totalidade do mundo é explicada. Uma coisa é certa: a notícia nas paginas dos jornalões de São Paulo é contada de maneira tal que nos sentimos compelidos a concordar com o desejo de vingança que sai da caneta dos jornalistas. Parabéns!
Na foto acima, da Folha de S. Paulo,o mundo visto na perspectiva da força da câmera e das armas.
14 de jan. de 2009
A midia grande e os padrões de manipulacão na cobertura da guerra de Israel

Um texto supostamente creditado à jornalista Mona Baker, do britânico The Translator, traz 12 pontos criticos para entendermos os "padroes de manipulacao" na cobertura da Guerra de Israel feita pelas grandes agencias de noticias (leia-se AP,CNN, Reuters, BBc e outros gatos pingados que monopolizam o que lemos e vemos ao redor do mundo). Hoje, vejo na CNN, por exemplo, uma entrevista com um dos pilotos israelenses dos avioes F-16, justificando as mortes de civis como "efeito colaterais".
Segue a relacao:
1) No Oriente Médio são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Essa defesa chama-se represália.
2) Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isso se chama ''terrorismo''.
3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama ''legítima defesa''.
4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama ''Reação da Comunidade Internacional''.
5) Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama ''Seqüestro de pessoas indefesas.''
6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de dez mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isso se chama ''Prisão de terroristas''.
7) Quando se menciona a palavra ''Hezbollah'', é obrigatória a mesma frase conter a expressão ''apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã''.
8) Quando se menciona ''Israel'', é proibida qualquer menção à expressão ''apoiada e financiada pelos EUA''. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.
9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões ''Territórios ocupados'', ''Resoluções da ONU'', ''Violações dos Direitos Humanos'' ou ''Convenção de Genebra''.
10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre ''covardes'', que se escondem entre a população civil, que ''não os quer''. Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de ''Covardia''. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama Ação Cirúrgica de Alta Precisão''.
11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama ''Neutralidade jornalística''.
12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são ''Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade''.
Foto: Joelma de Couto / revista Forum
6 de dez. de 2008
Lembra daquele guerrilheiro louco que mataram na Bolivia?
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