2 de fev de 2009

O boi pelo bife: A midia grande no confronto em Paraisópolis:


Há um ditado africano direto e certo: enquanto os leões não tiverem os seus próprios contadores de história, os caçadores serão sempre os vencedores.
A cobertura do Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo - os dois jornalões da paulicéia elite desvairada – na repressão policial da manifestação dos moradores da favela de Paraisópolis na zona sul de Sampa, faz o ditado africano cair como uma luva aqui. Quem perder tempo lendo Folha e Estado verá que as notícias são contadas do ponto de vista oficial. As fotos, tomadas da posição geográfica da polícia dão a dimensão de que ponto de vista falam os jornalistas de ambos jornais. Nem uma linha, nem que seja para disfaçar, questionando a polícia sobre a morte de um morador dias antes, preso com um carro roubado em uma operação policial. Fizessem jornalismo de fato, Folha e Estado não justificariam as depredações e disturbios `a ‘ordem pública’, mas ajudariam seus leitores a contextualizar os fatos. Temos, ao contrário, o que Perseu Abramo chamaria de passar o ‘o boi pelo bife’, ou seja, não mente, edita. Não inventa,faz-se crer que pelas vozes oficiais a totalidade do mundo é explicada. Uma coisa é certa: a notícia nas paginas dos jornalões de São Paulo é contada de maneira tal que nos sentimos compelidos a concordar com o desejo de vingança que sai da caneta dos jornalistas. Parabéns!

Na foto acima, da Folha de S. Paulo,o mundo visto na perspectiva da força da câmera e das armas.

10 comentários:

rose barboza disse...

Exatamente, amigo Jaime, e nosso Estado continua sendo a força normativa dessa representação/repressão. É cada vez mais revoltante ver como o nosso povo tem sua vida manipulada.
Mas estamos aí e não vamos dar tréguas!

Jorge Américo disse...

Salve, Jaime! Ainda não havia analisado este blog com a paciência e atenção merecidas. "Com raiva e paciência" é uma importante trincheira. Indispensável para o combate às falsificações históricas maquinadas pela Mídia Gorda. Precisamos denunciar o facismo disfarçado de políticas de segurança pública. Uma caneta em punho pode fazer mais estrago que um "TRÊIS-OITÃO". Continue disparando sua raiva, com muita paciência.
Jorge Américo

Lia disse...

Apoiado!

Roberto Locatelli disse...

É, a foto diz tudo...
Aliás, a mídia vendida parece não se importar com o outro lado: como tudo começou, e porque?
O homem morto pela PM era culpado? De que?

paulo disse...

Ao que parece, não há dúvidas quanto ao fato do homem morto realmente ser um fugitivo da penitenciária de franco da rocha dirigindo um carro roubado. a questão de se ele reagiu ou não à prisão é complicada, a polícia paulistana criou uma fama nos anos 80 e 90 de não fazer essas, digamos, "distinções", então acho este ponto discutível.

Agora, os malabarismos verbais que os blogs e comentaristas da esquerda vem fazendo para justificar a depredeção, violência - até tiro o comandante da polícia levou - e mesmo os saques às lojas e carros são incríveis, verdadeiras obras-primas de miopia ideológica e destreza retórica. Temos os clássicos problemas latino-americanos de desigualdade, exclusão social e todos os outros, mas a utilização destes problemas como justificativa para violência por parte de supostas vítimas destas mazelas é de uma desonestidade bárbara.

Acho um absurdo o bloqueio que a polícia está fazendo à favela, a população toda está pagando pelo oportunismo dos baderneiros que aproveitaram a escalada das tensões para saquear e roubar, para simplesmente tirar vantagem material, econômica de todo aquele caos. Espero que o bloqueio acabe logo e pare de importunar a vida do bom povo de Paraisópolis, mas continuo indignado com os carros queimando, as barricadas e todo o mais.

Sei lá se são as imagens poéticas de revoluções idas, visões de vitória gloriosa, da beleza da "luta proletária", um instinto primal que precisa do estímulo da "guerra", do calor da batalha, mas essa simpatia automática e indiscriminada por qualquer tipo de violência "revolucionária", feita por classes desfavorecidas ou direcionada contra uma suposta "elite" é uma piada.

Jaime Amparo Alves, é jornalista. disse...

caro paulo, embora eu descorde substancialmente da sua opiniao, e voce sabe onde, seu texto eh uma contribuicao muito boa ao debate. Um abraco,
jaime

Anônimo disse...

Concordo com Paulinho, quando ele se questiona quanto ao vandalismo, de uma minoria, ao saquar lojas e destruir carros de cidadão de bem, e qual a justificativa para tal barbaridade.

Reivindicar sem violência, é o melhor caminho, caso contrário, perde-se a razão e abre-se brechas para a atitude repressiva da polícia e interpretação midiática distorcida.

Eliana Motta

luciana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
luciana disse...

Por alguns comentários anteriores, é possível perceber o quanto a mídia "cumpre o seu papel": forjar uma realidade de tal modo que a tomemos como verdadeira. Ela consegue, assim, dizer para nós quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Como um filme de faroeste, ficamos assistindo ao bang-bang e torcemos pelo fim do bandido. O cuidado que temos de tomar aqui é de saber que o foco das lentes é acertada por quem está atrás delas. Resta a nós questionar o quão embaçada estão essas lentes.
Luciana

Anônimo disse...

Olhe a realidade do nosso país e responda:

Onde estão os verdadeiros bandidos?


Onde a policia protege e onde a policia mata?


Onde a policia é cão de guarda e onde ela executa a função de juiz e carrasco?


Onde a polícia serve como proteção e onde ela perpetra terror e assassinatos?


Onde é propriedade de um capitão-PM e atual “nobre” deputado?


Onde é propriedade de outros ladrões não menos “nobres” e onde o povo é assassinado e tratado como bandido?

Castelo na cidade de São João Nepomuceno, em Minas Gerais, avaliado em R$ 58 milhões de reais, uma das propriedades do capitão-PM (atualmente na reserva) e deputado Edmar Batista Moreira, que fez fortuna às custas das negociatas e roubo dos empregados das empresas de segurança que ele montou. O ex-capitão criou uma oligarquia, um filho é deputado estadual em Minas, o outro é delegado de policia, a irmã é prefeita da cidade de São João Nepomuceno, etc. O castelo tem mais dezoito anos, foi palco de muitas festas e vários bacanais, mas só agora foi exposto na imprensa devido a disputas de poder dentro do corrupto e podre Estado brasileiro.
Esse é apenas um caso. Os imperialistas, grandes burgueses e latifundiários do Brasil se esbaldam em outros castelos, mansões, ilhas particulares, etc., enquanto os pobres não tem onde morar e os moradores de favelas são tratados à bala por essa mesma policia que o ladrão e bandido Edmar Moreira faz parte.


Favela de “Paraisópolis”, invadida e ocupada desde o dia 2/2 pela policia, onde PM assassinou morador e tortura jovens; lado a lado com a opulência do bairro do Morumbi, em São Paulo; onde moram correligionários de Edmar Moreira e outros verdadeiros bandidos.