<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784</id><updated>2012-01-28T04:07:52.467-08:00</updated><title type='text'>com raiva e paciência</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>33</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-5925164625052034758</id><published>2012-01-24T10:00:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T10:09:50.221-08:00</updated><title type='text'>Pinheirinhos: a guerra contra os pobres</title><content type='html'>Boletim informativo sobre a situação da reintegração de posse no Pinheirinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   De Guilherme Boulos, dirigente do MTST: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caros companheiros. Neste momento estamos realizando um ato no palácio do governo de SP em denúncia ao massacre do Pinheirinho. Pela manhã travamos a rodovia&lt;br /&gt;Anhanguera, na região de Campinas. Além destas ações, o MTST realizará&lt;br /&gt;ainda hoje ações em Brasília e Belo Horizonte. Várias outras ações estão&lt;br /&gt;ocorrendo pelo país, com o envolvimento de todas as organizações de&lt;br /&gt;esquerda. É muito importante que os companheiros se envolvam. É preciso&lt;br /&gt;fortalecer a denúncia dos 3 assassinados no dia de ontem, com total&lt;br /&gt;bloqueio da imprensa. Os corpos não foram levados para o IML de São José&lt;br /&gt;e estão desaparecidos. Um deles é uma criança de 4 anos de idade, que&lt;br /&gt;chegou morta ontem as 18 hs ao PS Vila Industrial, após levar 1 tiro de&lt;br /&gt;borracha no pescoço. Temos várias testemunhas, mas os hospitais - por&lt;br /&gt;ordem expressa da prefeitura e da PM - não confirmam as informações,&lt;br /&gt;temendo ampliar a indignação e a resistência.  É fundamental utilizarmos&lt;br /&gt;nossos canais para denunciar estes fatos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Veja aqui imagens da desocupação do Pinheirinho (SJC): imagens não divulgadas pela&lt;br /&gt;grande mídia: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=H8pPOYHmkCc&amp;feature=player_embedded"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;   Ataque da PM no alojamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Forças de choque da Polícia Militar atacando o interior do&lt;br /&gt;alojamento cedido pela própria Prefeitura de São José dos Campos para&lt;br /&gt;abrigar moradores desocupados do Pinheirinho. No alojamento provisório&lt;br /&gt;estavam famílias inteiras, crianças, idosos e pessoas portadoras de&lt;br /&gt;necessidades especiais. Uma criança foi levada carregada para a&lt;br /&gt;ambulância que estava montada em uma tenda enquanto os policiais&lt;br /&gt;continuavam a jogar bombas em direção aos moradores. Aqui pode-se ver&lt;br /&gt;que algué´m é socorrido pela ambulância. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=nH3OBLdJYTE"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;   Grande mídia:&lt;br /&gt;   Ordem dos editores é falar em “ordem de despejo”/Proibido falar a&lt;br /&gt;palavra “moradia” ao falar de Pinheirinho/Nunca direcionar matérias com&lt;br /&gt;o foco do direito humano à moradia. São “invasores”, se quebrarem alguma&lt;br /&gt;coisa “vândalos”, e obrigatoriamente “sem teto"/Proibido citar Naji&lt;br /&gt;Nahas. Ao dar os números, usar as estatísticas da Prefeitura, que&lt;br /&gt;“elimina” milhares de moradores e fala em 1.500 pessoas e não 9.500./No&lt;br /&gt;máximo, tratar como pessoas, nunca como “seres humanos”. &lt;a href="http://www.fazendomedia.com/pinheirinho-e-nessas-horas-que-o-jornalismo-da-grande-midia-mostra-a-cara/"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Para quem ainda tem dúvida sobre a legalidade da ação:&lt;br /&gt;   Por que será que a PM está tomando todas as câmeras e celulares de&lt;br /&gt;quem está acompanhando a reintegração em Pinheirinho? Por que será que&lt;br /&gt;as autoridades que apoiam a população não podem entrar, como o Deputado&lt;br /&gt;Estadual Carlos Giannazi (PSOL), Deputado Federal Ivan Valente (PSOL) e&lt;br /&gt;do Senador Eduardo Suplicy (PT)? Não estam fazendo tudo dentro da mais&lt;br /&gt;absoluta legalidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Mais informações sobre a (i)legalidade da reintegração:&lt;br /&gt;   Direito, Estado e terror no caso do Pinheirinho pode ser encontrada &lt;a href="http://armadacritica.blogspot.com/2012/01/direito-estado-e-terror-no-caso-do.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Nos ajude a divulgar esta barbárie. São seres humanos, não podemos&lt;br /&gt;nos calar frente a atrocidades. Não podemos deixar impune. A terra tem&lt;br /&gt;que cumprir sua função social, como previsto na Constituição Federal de&lt;br /&gt;1988 e o Estatuto das Cidades, de 2001.&lt;br /&gt;   De que lado você está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Marcela Moreira&lt;br /&gt;   Instituto Voz Ativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passarem pela violência do despejo, de sofrerem com as&lt;br /&gt;insistentes ações da polícia que não deram trégua nem na madrugada de&lt;br /&gt;domingo e ainda sem saber para onde ir, a população do bairro de&lt;br /&gt;Pinheirinho, na cidade de São José dos Campos, sofre com a falta de&lt;br /&gt;informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prefeitura da cidade não informa qual o número de mortos e feridos&lt;br /&gt;no conflito iniciado ontem. Os postos de pronto-atendimento e&lt;br /&gt;hospitais da região não divulgam o número de vítimas e dificultam o&lt;br /&gt;acesso a informações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Posto de Atendimento do Campo do Alemão, localizado na Avenida João&lt;br /&gt;de Oliveira e Silva, a Guarda Municipal não permitia a entrada da&lt;br /&gt;reportagem. Mas, um dos oficiais que não quis se identificar, afirmou&lt;br /&gt;que haviam passado por lá mais de 20 feridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro hospital da região, onde também não informaram o número de&lt;br /&gt;ocorrências, uma moradora deu a seguinte declaração no domingo, dia 22&lt;br /&gt;de janeiro, a noite: “[a situação] está um inferno. Muitas&lt;br /&gt;ambulâncias, muito corpo chegando; tem gente baleada, gente&lt;br /&gt;esfaqueada, gente no corredor, um terror”.  Também relata que uma&lt;br /&gt;menina chegou em estado grave: “Eu vi a criança chegando no resgate&lt;br /&gt;(...) fizeram uma junta médica e abafaram o caso (...) eu acho que [a&lt;br /&gt;criança] veio a óbito, acho que faleceu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorrendo as áreas próximas ao Pinheirinho, é possível observar que&lt;br /&gt;existem pessoas desaparecidas e inúmeros feridos nos conflitos. O&lt;br /&gt;senhor Felício Ramuth, assessor de comunicação da prefeitura da São&lt;br /&gt;José dos Campos, no entanto, afirmou por telefone que não nenhum caso&lt;br /&gt;de morte e que foram registrados apenas 15 ferimentos leves, causados&lt;br /&gt;por armas não letais como bombas de gás lacrimogêneo e balas de&lt;br /&gt;borracha. Mas afirma que é o comando da PM que está centralizando&lt;br /&gt;esses dados. Já o assessor de imprensa da prefeitura, que&lt;br /&gt;identificou-se apenas como Cláudio, afirmou que “não há nenhum&lt;br /&gt;registro de mortos e feridos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-5925164625052034758?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/5925164625052034758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=5925164625052034758&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/5925164625052034758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/5925164625052034758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2012/01/pinheirinhos-guerra-contra-os-pobres.html' title='Pinheirinhos: a guerra contra os pobres'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8616820024115278284</id><published>2011-12-24T10:07:00.000-08:00</published><updated>2011-12-24T10:12:42.375-08:00</updated><title type='text'>O Brasil no mundo: o que a mídia esconde, a gente mostra aqui</title><content type='html'>Excelente documentário sobre o Brasil, pela Aljazeera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MÍDIA ESCONDE A GENTE MOSTRA. &lt;a href="http://www.aljazeera.com/video/"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8616820024115278284?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8616820024115278284/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8616820024115278284&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8616820024115278284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8616820024115278284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2011/12/o-brasil-no-mundo-o-que-midia-esconde.html' title='O Brasil no mundo: o que a mídia esconde, a gente mostra aqui'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-6428690782790404365</id><published>2011-12-23T11:13:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T11:16:04.599-08:00</updated><title type='text'>Em defesa de Cuba!</title><content type='html'>Assista o video clicando &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=fZHzUF0q0wk&amp;feature=related"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-6428690782790404365?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/6428690782790404365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=6428690782790404365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6428690782790404365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6428690782790404365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2011/12/em-defesa-de-cuba.html' title='Em defesa de Cuba!'/><author><name>Jaime Amparo Alves. 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Se houve progresso nos indicadores sociais do país, a precariedade das condições de vida de negros e negras segue sendo o principal empecilho para que o Brasil passe a fazer parte do seleto grupo de nações com alto índice de desenvolvimento humano. Se dividíssemos o país pela linha da cor e acesso às oportunidades, teríamos entre nós “dois Brasis” distintos: uma Noruega e um Congo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso equivale a dizer que, passados 123 anos da abolição da escravidão, a população negra continua sendo uma dor de cabeça para as elites do país. O que fazer com essa massa de gente feia, pobre e perversa que enche as favelas, polui a paisagem urbana e coloca em risco “nossa” segurança e nosso patrimônio? Ainda assim, há uma teimosia negra que torna relevante outra questão: como foi possível que, apesar dos projetos raciais de embranquecimento e de extermínio da população negra, esse grupo chegue ao seculo XXI como a maioria do povo brasileiro? Como resolver o ‘problema’ cultural, religioso, econômico e político, representado pela presença negra no país que se quer “civilizado” e moderno? Quais os principais desafios colocados ao movimento negro e à esquerda, levando em conta os aspectos conjunturais da política brasileira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem direitos, nem humanos: o que fazer com os feios, sujos e malvados?&lt;br /&gt;A resposta para esta pergunta pode ser encontrada nas políticas de segurança pública que elegem o corpo negro como o depositário absoluto do mal. Ainda está para ser feita a conta de quantos negros e negras morreram (e vão morrer) nos programas de sanitarizacão urbana empreendidos pelos governos federal, estaduais e municipais no bojo da preparação para os mega eventos esportivos. A importação de tecnologia israelense para a ‘pacificação’ das geografias urbanas do país dá uma dimensão do que vem por aí. Massacres, prisões em massa, demolições de favelas, desaparecimentos. Ainda assim, o espetáculo da morte negra ao vivo, pelas câmeras do jornalismo criminoso não comove nem suscita reações da chamada ‘sociedade civil’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os inúmeros exemplos, o leitor poderia fazer um paralelo entre as reações que se seguiram a morte do menino João Hélio Fernandes Vieites, arrastado por bandidos em um carro no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2007 e a banalizada morte de crianças negras como a do menino Juan Moraes, de 11 anos, em junho de 2011, por policiais militares do 20º BPM (Mesquita), na Favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Qual o valor da vida negra em uma sociedade que se diz anti-racista mas insiste em produzir padrões de vulnerabilidade à morte delineados por raça e classe social? Se levarmos em conta que entre nós permanece atualizada a máxima ‘direitos humanos para quem é humano’, fica fácil entender que a morte de negras e negros não suscita comoção porque este grupo social não tem sido visto nem pela lógica dos direitos nem pela lógica do humano; em outras palavras, é um grupo  que carrega um ‘defeito de cor’ que lhe anula a possibilidade de um reconhecimento pleno e pertencimento `a categoria do humano.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Temos insistido que é impossível entender a ‘necro-política’  racial brasileira sem levar em conta o lugar do corpo negro no projeto da nação verde-amarela. Se por um lado o corpo negro é consumido na figura da mulata tipo exportação, do homem negro hiper-sexual, do carnaval, do futebol, da favela e do candomblé como espaços do turismo exótico -, por outro ele alimenta a imaginação racista branca como sinônimo do ‘mal’: criminoso, perverso, dependente do bolsa-família, favelado, fanqueiro, promíscuo. Haveríamos de nos perguntar então como é possível uma sociedade não racista, como nos quer fazer crer a grande mídia brasileira - capitaneada pela Rede Globo e pela Revista Veja e  providencialmente coordenadas por uma intelectualidade treinada a partir das lições de Ali Kamel, Demétrio Magnoli e sua turma - conviver com tamanho paradoxo: ao mesmo tempo em que é impossível saber quem é negro e quem é branco no Brasil, negros são as principais vítimas da violência homicida, a maioria dos que apodrecem nas prisões, os alvos prediletos do terror policial e a maioria entre os empobrecidos e analfabetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, se os cínicos insistem em negar a existência do racismo no país, com um pouco de sensibilidade politica não nos parece ser difícil localizar onde estão os negros na hierarquia social brasileira. Os encontros mortais dos negros com o aparato policial, por si só deixa nu o argumento de que é impossível saber quem é negro e quem não é no país da democracia racial. A incrível capacidade da polícia em identificar o corpo negro nas invasões de favelas e a insidiosa disparidade nos números de homicídios entre a população jovem de ambas as raças, requer no mínimo que o discurso que nega a existência do racismo se sofistique. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racismo em números&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os indicadores sociais apontam para um padrão consistente de vulnerabilidade social de negras e negros, seja no mercado de trabalho, no acesso à educação formal, no acesso à moradia urbana, à terra ou à justiça. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego é de 10 entre negros e 8% entre os brancos. O Relatório Global sobre a Igualdade no Trabalho, de 2011, aponta que embora seja 45,5% da população ativa, a participação de negros na população desempregada total é de 50,5%. Outro importante indicador, o perfil das 500 maiores empresas do país, traçado pelo Instituto Ethos, mostra que quanto maior o nível hierárquico, menor a probabilidade de negros no quadro de direção. Em 2010, negros representavam 5% dos executivos e 13% dos gerentes das 500 maiores empresas.  A mulher negra segue sendo, para usar a expressão de Sueli Carneiro, “a última da fila depois de ninguém”. Elas simplesmente não existem, representam apenas 0,5% dos cargos de chefia ou gerência .  No geral, as mulheres negras ganham em média 70% menos do que ganha o homem branco e a metade do que ganha o homem negro. Para a pergunta “qual o lugar da mulher negra na força de trabalho?”, a resposta é relativamente simples: o mesmo lugar que ocupava em 1888 quando da abolição da escravidão, ou seja, na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito ao acesso à educação formal, embora tenha havido uma expansão universal do ensino básico e médio, de acordo com o IBGE os negros representam 70% dos cerca de 14 milhões de analfabetos do país. No ensino superior não é diferente: em 2007, entre a população branca com mais de 16 anos, 5,6% frequentavam o ensino superior, enquanto entre os negros esse percentual era 2,8%.  As universidades públicas brasileiras têm feito pouco para mudar este abismo; apesar das políticas afirmativas, entre 1997 e 2007 o ingresso de negros com mais de 16 anos aumentou apenas 1,8% (de 1 para os atuais 2,8%). O aumento na matrícula de jovens negros no ensino superior deveria não ofuscar um aspecto importante aqui: as iniciativas negras autônomas, como os pré-vestibulares comunitários, que tem preparado jovens para o seleto vestibular. À revelia da comunidade acadêmica, tais organizações têm pressionado o governo e os gestores universitários a adotarem políticas de inclusão e começam, ainda que lentamente, mudar a configuração monocromática das universidades públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, e apesar da luta, um menino pobre, negro, morador do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, ou na favela da Maré, no Rio de Janeiro tem pouquíssimas chances de entrar na USP ou na UFRJ, as universidades-símbolo da exclusão educacional no país. Ambas insistem em protelar o debate sobre as ações afirmativas e seguem imbatíveis, ferindo o princípio republicano da igualdade de oportunidades e de direitos que supostamente defendem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acesso à terra continua sendo uma prerrogativa dos senhores brancos. A chamada ‘bancada ruralista’ no Congresso Nacional, representada por figuras como Ronaldo Caiado e Kátia Abreu é o principal, embora não o único, entrave ao processo de afirmação dos direitos das comunidades quilombolas. No lado oposto da trincheira estão populações tradicionais organizadas através da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas. O acesso à terra urbana também continua inalterável. A oferta de crédito imobiliário, uma política dos governos Lula/Dilma, desvirtuou a questão transformando o solo urbano em mais uma fronteira para a contenção emergencial da crise financeira. São as construtoras, e a emergente classe média branca, as principais beneficiárias do Programa Minha Casa Minha Vida. Por outro lado, a população negra segue vivendo majoritariamente em áreas urbanas desprovidas de infraestrutura básica. De acordo com a ONU-HABITAT, o Brasil possui 28.9% da sua população urbana vivendo em favelas . &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os mega-eventos esportivos surgem no país agora uma nova categoria de vítimas: os ‘refugiados internos’. São os moradores expulsos do entorno de áreas nobres das cidades-sede da copa do mundo de 2014 e das olimpíadas de 2016. São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, se tornaram lugares comuns de incêndios inexplicáveis de favelas localizadas em pontos estratégicos da cidade. Assim como as políticas de ‘pacificação’ das “geografias problemas”, os incêndios aparecem como uma ótima oportunidade para ‘resolver’ a questão política inadiável: abrir a cidade para a circulação de mercadorias e de capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Genocídio da Juventude Negra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez a morte prematura da juventude negra seja a face mais visível e mais cruel do racismo Brasil. Qual seria a reação se os papéis se invertessem e a vitimização de jovens brancos entre 15 e 24 anos fosse três vezes maior do que entre jovens negros vivendo sob a mesma bandeira nacional? Jovens negros são as principais vítimas não apenas das politicas oficiais de extermínio, como também da violência homicida em geral. Nos últimos dez anos o pais registrou 522 mil homicídios, o que equivale a cinco guerras no Iraque. O Mapa da Violência 2011, uma publicação conjunta da Unesco e do Ministério da Justiça, identificou um padrão persistente de vítimas: jovens, moradores de áreas urbanas precárias e negros. Se o quadro já é assustador com o país ocupando a sexta posição mundial no ranking de homicídios entre jovens, não seria exagero afirmar que nenhuma outra nação fora do continente africano assassina tantos negros. Em alguns estados brasileiros, o padrão de vitimização de jovens negros chega a quase 2000% em relação aos jovens brancos na mesma faixa etária, como mostram os exemplos da Paraíba (1.971,2%), Alagoas (1.304,0%) e Bahia (798,5%), os estados líderes no assassinato de jovens negros .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dados do Ministério da Justiça revelam que, em 2002, em cada grupo de 100 mil negros, 30 foram assassinados. Esse número saltou para 33,6 em 2008; enquanto entre os brancos, o número de mortos por homicídio, que era de 20,6 por 100 mil, caiu para 15,9. Em 2002, morriam proporcionalmente 46% mais negros que brancos. Esse percentual cresce de forma preocupante uma vez que salta de 67% para 103%. Constata-se que o grau de vitimização da população negra é alarmante: 103,4% maiores as chances de morrer uma pessoa negra, se comparada a uma branca; sendo 127,6% a probabilidade de morte de um jovem negro [de 15 a 25 anos] à de um branco da mesma faixa etária.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao publicar os dados, o governo federal de certa forma também já admite a sua cumplicidade com a matança. Um estudo conjunto entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, a UNICEF e o Observatório de Favelas revelam que 33,5 mil jovens serão executados no Brasil entre 2006 a 2012. Os estudos apontam que os jovens negros têm risco quase três vezes maior de serem executados em comparação aos brancos. Se distribuída a chacina no tempo, os números equivalem a 400 mortes por mês. É como se todo mês dois aviões Air Bus, lotados de jovens de até 18 anos, caíssem em algum lugar do Brasil, sem nenhum sobrevivente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a polícia em si não seja a única força letal contra a juventude negra, ela é certamente uma das mais incisivas. Apesar de ser visto como exagero pelos setores conservadores da sociedade, a política programada de eliminação de negros pelas forcas policiais já é admitido por parte imprensa nacional, a exemplo do jornal Correio Braziliense, que após cruzar dados de mortalidade por força policial do Ministério da Saúde e das ocorrências registradas nas secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e São Paulo, revelou que a uma pessoa é morta no Brasil pela polícia a cada cinco horas e que 141 assassinatos são realizados por agentes do Estado a cada mês. Ainda segundo o estudo, Rio de Janeiro e São Paulo concentram 80% dos assassinatos cometidos por policiais no Brasil.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Segundo a Human Rights Watch, entre 2005 e 2009 as forças policiais de São Paulo e Rio de Janeiro juntas assassinaram 11.000 pessoas sob a justificativa legal de ‘resistência seguida de morte’ ou ‘autos de resistência’. Nos últimos cinco anos, a polícia paulista assassinou mais pessoas (2176) do que toda a polícia sul-africana (1623).  Embora os números do terror policial sejam inconsistentes e não confiáveis, o assassinato de jovens negros pela polícia já faz parte do senso-comum. Poupemos o leitor com a ladainha de sempre, afinal os últimos desdobramentos dos programas de ‘pacificação’ urbana, as imagens (não reveladas) de corpos negros lançados aos porcos, a política do ‘estrebucha até morrer’, ou ainda os desaparecimentos cada vez mais comuns de pessoas ‘com passagem pela polícia’ falam por si só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Progresso racial? Dois passos atrás, um passo adiante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não pode enfiar uma faca de nove polegadas nas costas de uma pessoa, puxar seis polegadas para fora, e chamar isso de progresso!”. A frase de Malcon X, expressa nosso ceticismo quanto à ideia de progresso racial vendido à exaustão na propaganda política do governo federal e ecoado em alguns setores do movimento negro. O acesso da população negra a direitos básicos de cidadania é mais uma conquista da luta organizada do que uma concessão do Estado.  Dado o lugar histórico de não cidadãos ou cidadãos de terceira categoria que os negros ocupam no nosso ‘regime racializado de cidadania’, ainda estamos há kilometros dos primeiros passos consistentes rumo à correção das injustiças raciais. A cidadania incompleta reflete a abolição inconclusa, uma vez que os direitos básicos de cidadania do pós-abolição não são reparação nem podem mudar, como um passe de mágica, a estrutura perversa da sociedade brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O racismo cotidiano a que estão submetidos negros e negras poderia ser entendido aqui a partir da imagem de uma bola de aço amarrada no calcanhar de alguém que desesperadamente tenta fugir de um leão faminto. O país cresce e se consolida na esfera internacional, redistribui renda, diminui a taxa de analfabetismo, sobe posições em seu IDH, mas mantém sua população negra em padrões de vida semelhantes aos paises da África Subsaariana. O país vai bem, mas os negros vão mal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o exemplo mais ilustrativo para o leitor entender nosso pessimismo quanto a um suposto progresso negro seja o processo que levou à aprovação do Estatudo da Igualdade Racial, o qual sugestivamento chamamos de “Estatuto da Democracia Racial”. Apresentado pelo senador Paulo Paim (PT-RS), o PL do Estatuto da Igualdade Racial tramitou no Congresso Nacional por sete anos até ser aprovado pelo presidente Lula em 2010. A proposta animou a esperança de o Estado brasileiro finalmente iniciar um processo de reparação aos descendentes da escravidão no Brasil. No entanto, nos difíceis anos de debate e enfrentamento aos que resistiam à sua aprovação, a proposta original sofreu alterações que esvaziaram o seu sentido reparatório.  Ainda em 2009, alterações feitas na Câmara Federal rebaixaram o Estatuto para uma condição “autorizativa”, além de não garantir recursos para sua execução. Com isso, os gestores públicos já não seriam obrigados a colocá-lo em prática.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao sancionar o Estatuto da Igualdade Racial Lula inadivertidamente (ou ironicamente orientado por uma parcela do movimento negro seduzida pelo Planalto) deu novo combustível ao mito da democracia racial brasileira. Fruto de um acordo espúrio entre setores do governo e o DEM, representado pelo senador Demóstenes Torres, relator do projeto e presidente da CCJ no senado, com o Estatuto demos dois passos atrás e  (se o leitor não quiser ser tão pessimista) e um passo adiante. Vazio de conteúdos, o documento selou um acordo de cavalheiros em que ganhou o governo – sem obrigação de implementá-lo – e ganhou a oposição, defendendo a ordem branca atual.  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O acordo que possibilitou a aprovação do Estatuto simplesmente enterrou as reivindicações históricas e esvaziou a já fragmentada mobilização política do povo negro. O texto aprovado excluiu as cotas para negros nas universidades, nos partidos e nos serviços públicos; excluiu a garantia do direito a titulação das terras quilombolas; excluiu a defesa e o direito a liberdade de prática das religiões de matriz africanas e não fez referência a necessidade de atenção do Estado ao genocídio cometido pelas políticas que vitimam a juventude negra. Com a bobagem do “melhor um estatuto imperfeito do que um estatuto perfeito engavetado”, representantes de uma ala do movimento negro governista impôs a todos nós uma derrota ainda por ser digerida pela militância negra radical e ainda por ser estudada pelas ciências sociais interessadas em entender os processos de cooptação e subordinação política negra no Brasil da era Lula.  Está aí, de mão beijada, um tópico de pesquisa que o leitor bem poderia abraçar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À esquerda de Karl Marx?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomamos emprestado a Carole Boyce Davies o título acima para uma última questão ainda pouco explorada sobre o movimento negro e a esquerda brasileira. Por que a esquerda brasileira continua refratária a incorporar a dimensão racial como estrutura fundante das desigualdades sociais no país? Também, ao passo em que reconhecemos o terror estatal do periodo militar e nos colocamos como partícipes na luta pela Comissao da Verdade, questionamos: por que as vítimas da ditadura militar - e não o estado de exceção permanente em que vivem os negros nas favelas brasileiras – tem sido o paradigma da luta pelos direitos humanos no Brasil? Hipóteses: a) Talvez porque, ao contrário das vítimas da ditadura militar, o assassinato de negras e negros não é suficientemente ‘político’ para uma luta coletiva contra a violência estatal e para a unificação de bandeiras contra a opressão. b) Porque a morte negra é tão banal que ela não pode ser vista como tragédia. Afinal, o que é a ditadura militar para quem a chibata é a regra e a lei nunca foi sinônimo de proteção? c) Porque a condição negra é vista, nos olhos da esquerda, como uma consequência/derivativa, ao invés de parte fundante, do capitalismo racial brasileiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As questões acima parecem díspares mas não são. Elas apontam para uma dificuldade histórica da esquerda em entender a condição estrutural dos negros na sociedade brasileira. A dificuldade em relacionar a questão racial à interpretação dos antagonismos de classes parece ser uma “virtude” do campo progressista, afinal, temos razões para acreditar que as elites sempre perceberam e atuaram a partir da ideia de que a classe trabalhadora no Brasil se caracteriza pela matriz étnico-racial e que, para mantê-la dominada, seria necessária a construção de um mito que convencesse o ‘povo brasileiro’ da sua cordialidade. Não seria este mesmo discurso reatualizado na acusação de que movimento negro fragmenta a luta de classes no Brasil? Aqui está o calcanhar de aquiles da ‘nossa esquerda’: ela é refém de um discurso homogeneizante produzido pela Casa Grande. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para esvaziar a luta política pela emancipação radical numa sociedade estruturada a partir das desigualdades de raça, gênero e classe, foi preciso uma mentalidade que conformasse a população em uma nação imaginada como una, uma mentalidade que, apesar de explicitamente condenar determinado grupo ao subjugo, construísse em torno dessa realidade um aspecto positivo, negasse a especificidade da experiência negra, reforcasse a boa convivência, a fraternidade e a compaixão, enfim, um ambiente de democracia racial. Afinal, o que é o povo brasileiro senão esta deliciosa mistura? O que é a classe trabalhadora senão esta massa de indivíduos sem rosto, sem sexo, sem gênero e sem raça? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao negar a existência do conflito entre brancos e negros, as elites brasileiras negam também o antagonismo entre as classes. Inversamente, a resposta da esquerda à direita tem sido negar o antagonismo racial, como se o resgate da identidade negra não fosse um elemento revolucionário, na medida em que a negritude está relacionada a pobreza e à opressão. Na medida em que há um reconhecimento e um resgate dessa identidade racial, ela está carregada também de uma identidade de classe no tripé preto/a-pobre-trabalhador/a. Uma vez que as esquerdas brasileiras hesitam em assumir a questão racial – ou a assumem como uma consequência da dominação de classe – acaba ficando para nós, as vítimas do racismo, a tarefa de oferecer um projeto radical de transformação da sociedade que incorpore como suas matrizes as dimensões de raça, gênero e classe.  Ai esta a tragédia do racismo brasileiro: ele é tão sofisticado e brutal que fica para as vitimas a responsabilidade não apenas de lutar contra suas manifestações, mas também de provar a sua existência. Se a esquerda é sofisticada, incisiva e radical em situar a opressão de classe, ela tem uma demência histórica em reconhecer  como a categoria ‘raca’ se constituiu no fundamento da modernidade capitalista.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A condição negra – os últimos da fila depois de ninguém – pode(ria) ser  o ‘lugar’ de onde gestar um projeto de sociedade que questione não apenas o modelo capitalista de organização social, mas também o modelo de resistência a ele porque tal modelo tem deixado de fora das suas prioridades as bandeiras de lutas da nossa gente. Refundar a esquerda brasileira implicaria, a partir da nossa lógica, colocar em perspectiva histórica e política o lugar do corpo negro como o ponto de partida para entender onde estamos e onde queremos chegar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria o movimento negro brasileiro à altura de tal desafio? A relação de setores do movimento negro com o Estado na era Lula/Dilma e o incômodo onguismo que cada vez mais substitui as iniciativas negras lançam dúvidas sobre isso. O 20 de novembro pode ser uma data importante para o movimento negro - em sua multiplicidade – de resgate da utopia negra, uma utopia que resignifique a luta e incorpore as dimensões de caça, gênero, classe como convergentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resgatar identidade racial negra é provocar, em conjunto, o resgate e a releitura de uma identidade de classe explosiva e revolucionária. Eis aí o temor das elites brasileiras assombrada com a experiência transgressora prodo povo preto do Haiti. Aí repousa a justificativa para a violência programada contra negras e negros brasileiros. E repousa aí também a oportunidade de, ao refletir e fazer a autocrítica necessária às organizações e a nossa postura, fazer nascer uma nova forma de provocar a organização da classe trabalhadora no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os detratores das ações afirmativas não nos ouçam, mas seria trágico se o movimento negro sucumbisse a uma agenda que tivesse como fim último a inclusão de negras e negros no modelo de sociedade que aí está. Isso implicaria aceitar o estatus subalterno negro que o capitalismo racial requer.  Faz-se imperativo que enquanto lutamos pragmaticamente pelo direito à existência, pelos direitos de cidadania e pela afirmação de nossa identidade, não capitulemos de uma utopia revolucionária negra. A luta pela liberdade humana é incompatível com o modelo de sociedade em que vivemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-7532418996255936452?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/7532418996255936452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=7532418996255936452&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/7532418996255936452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/7532418996255936452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2011/11/desconstruir-o-racismo-e-forjar-utopia.html' title='Desconstruir o racismo e forjar a utopia revolucionária negra'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-3406570666686724426</id><published>2011-08-20T06:14:00.000-07:00</published><updated>2011-08-20T06:30:19.980-07:00</updated><title type='text'>Uneafro-Brasil responde ao DEM: a direita não nos representa!</title><content type='html'>Resposta do Movimento ao DEM &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma reposta à propaganda eleitoral promovida pelo DEMOCRATAS e veiculada em rede nacional, nas duas primeiras semanas de Agosto/11. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=C4kxOx6VLXs&amp;feature=player_embedded"&gt;Clique AQUI&lt;/a&gt; e assista a nossa resposta ao DEM (ex ARENA, PDS, PFL) – partido historicamente comprometido com as elites mais conservadoras do país – que se utiliza da imagem e da boa fé de um jovem negro morador da periferia de Salvador (BA) para tentar legitimar o ilegitimável: sua sistemática atuacao contra os direitos dos negros, pobres, homosexuais e mulheres. Assista o Vídeo do DEM clicando &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qqpaBn19SEE"&gt;aqui.&lt;/a&gt; Para que todos/as nos escutem: O DEMOCRATAS e seus aliados NÃO NOS REPRESENTAM! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica: &lt;br /&gt;Depoimento - Maira Santos Cunha &lt;br /&gt;Produção -  UNEafro-Brasil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite nosso site www.uneafrobrasil.org  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=C4kxOx6VLXs&amp;feature=player_embedded&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-3406570666686724426?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/3406570666686724426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=3406570666686724426&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3406570666686724426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3406570666686724426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2011/08/uma-resposta-ao-dem-o-partido-do-diabo.html' title='Uneafro-Brasil responde ao DEM: a direita não nos representa!'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-6791272526758820619</id><published>2011-05-15T08:08:00.000-07:00</published><updated>2011-06-02T16:31:11.664-07:00</updated><title type='text'>Porque devemos queimar a bandeira</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-AiG7_9DuQys/TegdJxuQblI/AAAAAAAAC7c/dV9v2dLDgAg/s1600/declaracao-universal-direitos-humanos-22.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-AiG7_9DuQys/TegdJxuQblI/AAAAAAAAC7c/dV9v2dLDgAg/s320/declaracao-universal-direitos-humanos-22.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613768989320703570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por Jaime Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil branco não entendeu quando, no dia 13 de abril, Paulo Sérgio Ferreira, 38 anos, escalou o mastro e queimou a bandeira brasileira que fica na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Desempregado, Sergio explicou o seu gesto acusando o Brasil de ser uma "pátria assassina de negros". Não poderia haver protesto mais eloquente e mais incisivo. No &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wcv2ijAL0TE"&gt;Treze de Maio&lt;/a&gt;, nossas vozes se somam ao protesto silencioso de Paulo Sergio para denunciar a morte prematura e prevenível de jovens negras e negros no país da democracia racial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mapa da Violencia 2011, um lançamento conjunto do Ministério da Justiça e do Instituto Sangari, dá uma dimensão da distribuição calculada da morte nas periferias brasileiras. Os pesquisadores têm identificado um “padrões da mortalidade juvenil” que elege jovens negros urbanos como as principais vitimas dos assassinatos no país. Se o assassinato de jovens já expoem a tragédia programada do Brasil do futuro, o assassinato de negras e negros expoe também a necropolítical racial do país. Negros morrem mais e mais cedo do que os brancos. A taxa de homicidio juvenil é  proporcionalmente 103,4% maior entre os negros que brancos. Em alguns estados a taxa de vitimização juvenil é tao exorbitante que mesmo os mais cínicos críticos do termo genocídio, para se referir ao massacre cotidiano negro, teriam dificuldades em justificar o injustificável: na Paraiba e em Alagoas, os estados que mais matam jovens, o índice de vitimização negra  é de 1971,2% e 1304,0% respectivamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Paulo Sergio denunciava a “pátria assassina de negros”, jovens negros eram assassinados no subúrbio ferroviário de Salvador e na Baixada Fluminense.  Na Baixada Santista, mães enterravam os corpos de outros tantos mortos em mais uma chacina e na capital paulista a polícia militar lavrava mais uma ‘resistência seguida de morte’. Queimar a bandeira brasileira, neste contexto, é gesto politico imperativo para mostrar  a impossibilidade negra no projeto de nação brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o lugar de negras e negros na nação verde-amarela? O que a morte prematura e prevenível de jovens negros tem a nos dizer sobre as maneiras como a nação tem sido historicamente imaginada entre nós? O que a persistencia da morte negra revela – e oculta -  sobre a natureza antropofágica da democracia racial brasileira? &lt;br /&gt;A verdade é que a maior nação negra fora do continente africano tem uma dor de cabeca historica de onde situar os seus negros. Certa obsessão antropológica tem exaustivamente nos situado no botequim, no samba, na capoeira. Ali somos o Brasil exótico. Na mulata tipo exportação e nos meninos do futebol temos uma retualizacão do colonialism, agora no sentido colônia-metrópole. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens do corpo negro são consumidas no esporte, no carnaval, nas narrativas da violência em filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Em todas elas uma simbiose entre violencia física e simbólica produz a morte programada e ritualizada. Afinal, não seria esta reiteração simbólica do corpo negro como  descartável, feio, sexualmente disponível, e perverso,  o que pavementa o caminho para a sua liquidação total?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se consideramos, ainda que por um momento, o fato de que a presença negra continua um incômodo para o progresso brasileiro, e, como nos lembra Thomas Skidmore, o desafio para o Brasil entender a sí próprio, poderemos entender o porquê da aceitabilidade da matança negra. Nem a Africa do Sul no auge do seu apartheid assassinou tantos negros como por aqui.  E, embora a ditadura militar brasileira tenha sido cruel e sangrenta, a escala de desaparecimentos políticos do regime militar não comporta comparação com os números do extermínio negro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o Brasil ainda não entendeu o significado das feridas aberta - e ainda não cicatrizadas - do Atlantico Negro, e porque o movimento social não-negro, as esquerdas brasileiras, ainda têm dificuldades em aceitar a especificidade da experiencia negra, fica para nós, as vitimas, a responsabilidade de reclamar os mortos e denunciar como genocídio o fenomeno politico da morte em massa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem de Steve Biko o alerta: ‘estamos por nossa própria conta’. É a carne negra, ‘a mais barata do mercado’, que está fora de lugar. A bandeira brasileira não nos cobre e a pátria não nos comporta porque o corpo negro é o depositário de uma incompatibilidade absoluta com a nação que se quer moderna, civilizada, européia, branca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou despercebido, mas há uma analogia a ser feita entre a bandeira que o exército brasileiro fincou, no dia 25 de novembro de 2010, no alto do Morro do Cruzeiro, no Rio de Janeiro, como símbolo de conquista de territorio, e a bandeira que Paulo Sérgio queimava em Brasilia, no 13 de abril de 2011. Na primeira, a bandeira manchada de sangue trazia a ordem branca, do asfalto, para a geografia suja e malvada do morro. O morro precisava ser trazido, ainda que à balas de canhões, para o seu lugar submisso no projeto de dominacao racial brasileira. No segundo caso, era o Brasil negro que se rebelava e denunciava o projeto genocida do Estado brasileiro; em ambos os casos, a bandeira é o símbolo de um projeto de vida e de morte, um projeto necropolítico que a cada dia se sofistica e se torna imprescindível para a ‘paz’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste Treze de Maio de luto e de lutas, bem poderíamos parafrasear Castro Alves e gritar com todos os pulmões: quem é esse povo que a sua bandeira empresta para cobrir tanto horror e covardia’? A resposta talvez teríamos que buscar na reatualização contínua e dissimulada de um mito que funciona apagando a cor dos mortos. Uma nação racialmente antropofágica, ‘uma máquina de triturar gente’, um estado genocida….Orgulho de ser brasileiro? Queimemos a bandeira!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-6791272526758820619?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/6791272526758820619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=6791272526758820619&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6791272526758820619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6791272526758820619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2011/05/porque-devemos-queimar-bandeira.html' title='Porque devemos queimar a bandeira'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-AiG7_9DuQys/TegdJxuQblI/AAAAAAAAC7c/dV9v2dLDgAg/s72-c/declaracao-universal-direitos-humanos-22.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-4904910572047960787</id><published>2011-02-23T08:37:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T08:42:53.332-08:00</updated><title type='text'>Um dia a miséria cansa!</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=TsnhnmGF23c"&gt;Assista aqui&lt;/a&gt; o desabafo de quem vive no espaco limiar da morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-4904910572047960787?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/4904910572047960787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=4904910572047960787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4904910572047960787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4904910572047960787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2011/02/um-dia-miseria-cansa.html' title='Um dia a miséria cansa!'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8117202960336956555</id><published>2010-12-07T04:43:00.000-08:00</published><updated>2010-12-07T04:45:55.298-08:00</updated><title type='text'>A morte dos maus: uma nova etapa na biopolítica racial brasileira</title><content type='html'>Jaime Amparo-Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a bola começar a rolar na Copa do Mundo em 2014, aqui no Brasil, os atletas talvez não imaginem o rastro de sangue necessário para fazer do evento uma realidade possível. A violência terá sido, então, sanitarizada com o verde-amarelo e a estética do horror já terá sido varrida para os cemitérios. Debaixo da terra nem a putrefação dos cadáveres negros que pavimentaram o caminho para o Brasil colocar a sexta estrela na camisa canarinho. Hexa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é exagero: a reestruturação urbana das metrópoles brasileiras requer a remoção em massa tanto das residências quanto dos corpos negros. Em São Paulo, o processo já segue a passos largos. A região central da cidade deve ser o foco de uma política de intervenção higienista estratégica nos próximos anos. Sob a justificativa do combate ao tráfico, já se desenha para ali o estrangulamento do que restou do viver urbano das famílias pobres no centro velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na cidade, se tornam cada vez mais comuns os incêndios inexplicáveis de favelas em áreas estratégicas para investimentos imobiliários. Os incêndios, na verdade, "surgem" como saída providencial para o poder público, para o chamado terceiro setor e para o mercado. Enquanto os primeiros precisam apenas gerenciar a assistência, ao último se abre uma nova fronteira de acumulação/especulação imobiliária. Na hiper-periferia paulistana, por sua vez, a PM já celebra, quatro anos antes dos jogos esportivos, o recorde absoluto no número de blitz e prisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma nova economia da violência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Rio de Janeiro, terra dos capítulos da tragédia estatal, o caveirão faz parte, há tempos, da geografia racializada da cidade (assim como o Blaser da Rota se confunde com o cinza da tragédia urbana paulistana). Os mais recentes "confrontos" são apenas um ensaio do que vem por aí nos anos que precedem os dois megaeventos esportivos. Como demonstrado na filosofia dos "choques de ordem" da prefeitura do Rio, é preciso pavimentar o caminho para garantir a circulação do capital e das "pessoas de bem" na Cidade Maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A duras penas aprendemos que o espaço urbano é uma categoria política que ambienta modos de dominação. É nele que se materializam as concepções que temos de raça, de classe, de região de origem. Neste sentido, os malvados, os perversos, os sujos habitam regiões que precisam ser extirpadas para evitar a metástase, como nos lembra o jornalismo lombrosiano do momento. No que diz respeito à circulação do capital, é imperativo que o Estado penal seja levado à sua potência máxima (na equação prisão e morte) e o pouco que resta de políticas sociais seja distribuído nem mais nem menos do que o necessário para garantir a conformidade com a ordem. Não por acaso, as UPPs (RJ) e as Polícias Comunitárias (SP) coexistem com o assistencialismo estatal e as estratégias pedagógicas de cidadania do onguismo. Afinal, é preciso manter o Haiti (de ontem ou de hoje) longe daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a nova ordem urbanística que vem por aí apenas reatualize os já conhecidos padrões de terror estatal – o massacre do corpo negro nas favelas como condição imprescindível para a paz social –, ela em certa medida também inaugura uma nova economia da violência que tem no espetáculo esportivo sua razão de ser. Foi assim na África do Sul e será assim no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem aí a paz dos cemitérios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como justificar a morte de jovens negros, o encarceramento em massa, a remoção de comunidades inteiras senão pela lógica da purificação total? Essa coisa chamada "sociedade civil" precisa – e a retórica da guerra fartamente disseminada pelo jornalismo criminoso sustenta – que alguns grupos sejam sacrificados em nome da nação verde-amarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paradoxo aqui, como nos lembra o filósofo italiano Giorgio Agamben (1942) é que ser sacrificado não é um privilégio para qualquer um. Como no sacrifício bíblico de Isaac, o valor do ritual está na preciosidade (humanidade) do ser sacrificado. No caso dos jovens negros, encurralados entre a prisão e o cemitério, a morte se transformou em um evento ordinário, parte do viver urbano. Aqui, a retórica dos "direitos humanos", da "democracia" e do "Estado de Direito" não faz sentido porque os "maus" têm que morrer. Ao tempo em que a maldade ganha realce nas lentes das câmeras de TV e nos discursos macabros dos comentaristas de segurança, uma espécie de jornalismo cruel que tem a polícia como única fonte legitima o massacre como estratégia legal: "32 bandidos mortos em confronto com a polícia do Rio; bandido reage e é morto pela polícia em São Paulo"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a histeria intelectual-academicista-onguista, segundo a qual o Estado de Direito estaria ameaçado (pelo estado de exceção) só faz sentido se tomada sob a ótica daqueles grupos sociais vistos como portadores de direitos. Para os não-cidadãos, os "maus", até mesmo o conceito de estado de exceção, proposto por Agamben, precisa de um reparo, uma vez que esta tem sido a norma sob a qual (sobre)vivem. Mais apropriado seria chamar o momento sempre-presente de estado de exceção permanente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016 serão eventos espetaculares, o país receberá enxurradas de dólares e as metrópoles brasileiras terão finalmente sido sanitarizadas. Pessimismo? Vem aí a paz dos cemitérios! Está inaugurada uma nova etapa na biopolítica racial brasileira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Originalmente publicado em www.observatoriodaimprensa.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8117202960336956555?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8117202960336956555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8117202960336956555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8117202960336956555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8117202960336956555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/12/uma-nova-etapa-na-biopolitica-racial.html' title='A morte dos maus: uma nova etapa na biopolítica racial brasileira'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-1532007137683967140</id><published>2010-10-18T17:46:00.000-07:00</published><updated>2010-10-29T12:18:52.185-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-1532007137683967140?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/1532007137683967140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=1532007137683967140&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/1532007137683967140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/1532007137683967140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/10/sobre-genero-fascismo-e-tirania-da.html' title=''/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8299047976663038371</id><published>2010-10-14T12:52:00.000-07:00</published><updated>2010-10-14T12:54:11.160-07:00</updated><title type='text'>Dilma ainda lá!</title><content type='html'>Por Juarez Guimarães*&lt;br /&gt;13 de outubro de 2010 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que houve uma inflexão no crescimento de Dilma e o contrário ocorreu com Serra e Marina? Por Juarez Guimarães. Foto: Roberto Stuckert Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Juarez Guimarães*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se deve nem é preciso confiar nos números da primeira pesquisa do Datafolha no segundo turno para se concluir que o favoritismo de Dilma está sob disputa e que sua vitória depende do que a sua campanha e a de seu adversário fizerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso, pois, adquirir e partilhar com os brasileiros e brasileiras a consciência da situação dramática deste segundo turno das eleições presidenciais. O que está longe de significar um desfecho necessariamente infeliz ou trágico. Isto quer dizer simplesmente que todas as conquistas sociais e do trabalho, democráticas e de soberania nacional construídas nestes últimos oito anos estão em risco. Serra só pode vencer se a razão liberal conservadora, cobrindo um arco de interesses e vontades que vão até a intolerância mais brutal, de cores proto-fascistas, triunfar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem esta consciência dramática não se pode vencer. Porque o gesto, a fala, a palavra e o sentimento estarão aquém do necessário, não terão suficiente força e capacidade de persuasão. É preciso, então, que esta consciência dramática se expresse através de uma lucidez apaixonada que faça um diagnóstico realista do desafio e proponha um caminho para vencer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disputa de narrativas – A melhor referência analítica destas eleições está no gráfico de curvas de tendências eleitorais, elaborado a partir de pontos médios de pesquisas publicadas ( CNT/Sensus, Vox Populi, Datafolha e Ibope), que vem sendo atualizado desde o início do ano e editado na revista CartaCapital. Elaborada pelo cientista político mais reconhecido na área e professor do Iuperj, Marcos Figueiredo, esse gráfico de curvas de tendências eleitorais apresenta duas grandes virtudes: dilui eventuais manipulações e imprecisões de pesquisas em médias do conjunto de pesquisas; permite acompanhar tendências de evolução, evitando avaliações impressionistas a cada momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com este gráfico de tendências eleitorais, a cena destas eleições pode se dividir em duas até agora: até os inícios de setembro e dos inícios de setembro até aqui. Em síntese, este gráfico nos diz o seguinte: até os inícios de setembro, Dilma Roussef vinha em um crescimento sustentado e amplamente majoritário, com Serra caindo para cerca de ¼ do eleitorado e Marina Silva sempre abaixo de 10 %; desde então, Dilma parou de crescer,estacionou durante um tempo, deu indicações de uma queda leve para, na véspera das eleições, perder alguns pontos que a levaram ao segundo turno; neste mesmo período, Serra deixou de cair e começou lentamente a subir até atingir quase um terço dos votos úteis e Marina começou a indicar tendências de crescimento, para, em seguida, disparar até 1/5 dos votos úteis nos dias finais do primeiro turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ocorreu? O que divide um período do outro? Por que houve uma inflexão no crescimento de Dilma e o contrário ocorreu com Serra e Marina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma explicação clara para este fenômeno. Até os inícios de setembro, predominou a narrativa da continuidade do governo Lula (“Continuar as mudanças”), que era expressa sobretudo pela transmissão da altíssima popularidade do governo Lula a Dilma, mas também pela queda de Serra e pelo caráter minoritário ou secundário da candidatura Marina. De lá para cá, veio sendo construída pela candidatura Serra, com apoio da mídia empresarial, a narrativa liberal-conservadora anti-petista e centrada em toda sorte de preconceitos e calúnias contra Dilma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro período, que vai até inícios de setembro, a candidatura Serra estava politicamente desestabilizada: a linha do marketing político “O Brasil pode mais”, que alternava a crítica e a indiferenciação com o governo Lula, retirava votos de Serra até na sua cidadela paulista. Com caminho livre para sua ascensão, sem encontrar uma barragem de oposição, Dilma pode se alimentar do crescente conhecimento da população, ampliado pelo horário gratuito na TV, do apoio de Lula a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos inícios de setembro, a linha dominante na campanha de Serra , então em crise aguda, mudou: ela passou claramente a adotar a estratégia proposta apor Fernando Henrique Cardoso desde o início do ano. Isto é, associar, de forma virulenta, o governo Lula, o PT e a candidatura Dilma a uma instrumentalização ilegítima do Estado, à corrupção, e às ameaças à liberdade e aos valores religiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meios para se promover esta mudança de agenda foram a forte concentração temática diária da mídia (revistas, jornais diários e principalmente o Jornal Nacional) somado à campanha de Serra e mais uma verdadeira avalanche de calúnias na Internet. A dramatização das ameaças encarnados pelo PT e pela candidatura Dilma criou um diálogo de elevação da figura de Marina, em uma dinâmica aliada para gerar o segundo turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante todo o mês de setembro, o longo tempo disposto à candidatura Dilma praticamente ignorou esta mudança da agenda da disputa política. Seria ingênuo supor que uma candidatura recentemente apresentada já desfrutasse de uma opção de voto de todo cristalizado e definitivo. Se a denúncia do pseudo-uso inescrupuloso da Receita Federal não parece ter tido impacto imediato, ajudou a criar uma nova agenda para a campanha. Já a denúncia de lobbies dos filhos da ex-ministra Erenice certamente teve mais impacto, abrindo uma brecha que começaria a crescer. O que parece ter ocorrido é que a certeza na vitória no primeiro turno na direção da campanha de Dilma, cada vez mais em risco nas pesquisas internas mas alardeada com força por analistas, criou a insensibilidade para a mudança de agenda e clima de campanha que estava em curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ascensão de Marina aos 20 % de voto útil certamente combinou fontes variadas de apoio. Mas o mais importante é compreender que ele só ocorreu em meio a este clima negativo e de suspeição em torno à candidatura Dilma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta nova agenda de campanha não foi capaz de apagar a anterior, a da continuidade ou ruptura com a dinâmica de mudanças do país criada pelo governo Lula, pois Dilma manteve, apesar de tudo, um alto índice de votos no primeiro turno. Mas agiu no sentido de se impor a ela ou neutralizá-la. Se isto for realmente conseguido neste segundo turno, Serra pode vencer as eleições. Seria um erro de interpretação desvincular a “disputa de biografias” proposta por Serra desta nova agenda de campanha: pelo contrário, a sua “biografia” é apresentada, em contraponto inteiramente à de Dilma, como a de um “homem de bem”. Da mesma forma, Dilma não pode ser eficientemente defendida sem lutar pela agenda da disputa política: é a sua representação do projeto do governo Lula que pode levá-la à vitória. Nenhuma calúnia pode ser ignorada ou deixar de ser respondida mas a capacidade persuasiva da resposta depende da desmontagem da nova agenda de campanha que tem em Serra o seu epicentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, é preciso superar a falsa dicotomia que pode aparecer: ou centrar na “linha política” da campanha ou na “biografia da candidata”. Na verdade, as duas questões são dependentes e configuradas, pois quanto mais capacidade de retomar a linha de campanha, maior potência para construir ou reconstruir a Dilma presidenta do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, então, exercitar as respostas às três questões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como retomar no centro das eleições a agenda da continuidade ou retrocesso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como obstaculizar o crescimento em curso da candidatura Serra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como retomar o crescimento da candidatura Dilma presidenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A retomada da agenda da campanha – A soma do acerto no programa de televisão mais a força política da coligação Dilma mais a heróica e voluntariosa militância e cidadania ativa, inclusive na rede virtual, tem capacidade para recentralizar a agenda da campanha e colocar Serra, de novo, na defensiva. Mas, para isto ocorrer, é preciso reconectar, combinar, fazer dialogar já mensagem na TV, a militância ativa e a força política da coalizão. A candidatura Serra chegou no início deste mês de outubro com a força plena de sua estratégia, continuada e expandida após a conquista do segundo turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recentralização da agenda da campanha passa por quatro linhas constitutivas simultâneas. É preciso concentrar nela, repeti-la por todos os ângulos, torná-la o centro da narrativa e sintetizador de todo o discurso e ação, Implica em literalmente correr atrás do tempo perdido, criando uma dinâmica ofensiva crescente, que pode se manifestar de forma plena ao final do segundo turno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira linha visa despertar, reforçar e agudizar a consciência dos brasileiros, das classes populares e das classes médias, de que FHC e Serra são duas caras da mesma moeda, são criador e criatura, unha e carne de um mesmo projeto. FHC e Serra escreveram juntos o manifesto neoliberal de fundação do PSDB; Serra foi durante oito anos ministro de FHC e indicado por ele para sucedê-lo; hoje, FHC, escondido ou quase apagado do programa Serra, é de fato quem dirige politicamente a sua campanha. Serra eleito é a turno de FHC de volta ao governo do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda linha objetiva despertar, reforçar, agudizar a consciência dos brasileiros, das classes populares e das classes médias, do que poderia ocorrer com volta de Serra/FHC ao governo do país. Não se trata apenas de fazer uma comparação de governos com base em números frios. Quando FHC terminou seu segundo mandato, ele tinha o repúdio ( avaliações de ruim e péssimo) de cerca de dois terços dos brasileiros. É preciso documentar, de modo dramático, com fotos e documentos o que foi o Brasil nos anos noventa para o povo e para as classes médias. O eleitor de Serra precisará, cada vez mais, esforço para defender o seu voto e a conquista de novos eleitores será cada vez mais difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira linha buscaria despertar, reforçar, agudizar a consciência do sentido democrático e republicano do governo Lula contraposto aos anos de apartação social e conservadorismo político dos anos FHC. É preciso superar a visada economicista, incorporando aos feitos do governo Lula, em cada área, os valores e princípios que orientaram a sua construção: democracia ativa dos cidadãos e maior pluralismo político; direitos para quem trabalha e novos direitos para os pobres; reconstrução das funções públicas do Estado, inclusive na área ecológica, e combate inédito à corrupção; novos direitos para negros e mulheres; retomada da soberania nacional e novo diálogo internacional, pela paz e contra a pobreza e pelo acordo de sustentabilidade internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quarta linha é retomar, com uma perspectiva histórica, o novo futuro do Brasil democrático e republicano que será aprofundado com Dilma presidente. Do princípio esperança para a imaginação plena de um Brasil democrático, justo, soberano e sustentável. É com a clarificação deste futuro, com suas metas para cada área, que o trabalho de reconstrução de imagem e programa de Serra pode ser mais desmascarado. É preciso iluminar a grandeza histórica do que encarna a candidatura Dilma: é o melhor caminho para reconstruir a sua imagem pública tão violentamente atacada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas quatro linhas simultâneas de construção do discurso compõe juntas uma narrativa que deveria ser estruturadora dos programas de televisão, combinada com a defesa da imagem pública de Dilma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serra para baixo e Dilma presidente – A desconstrução de Serra e a (re) construção da imagem de Dilma são processos simultâneos e combinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De modo sereno, mas com a indignação necessária, o movimento de calúnias contra Dilma deve ser publicamente cobrado da campanha de direita de Serra e politicamente caracterizado como incompatível com a democracia. Não pode ser um “homem de bem” quem estimula e tira proveito das calúnias, dos preconceitos contra os pobres, do fanatismo religioso para vencer. Esta estratégia tem a sua origem nos republicanos de direita dos EUA que a usaram contra Obama que foi chamado até de amigo dos terroristas, ofendido por racistas e por pretensos mensageiros da palavra de Deus, fundamentalistas religiosos. Sem esta abordagem política ofensiva, a defesa de Dilma será confundida com um movimento apenas defensivo e até legitimador desta prática da direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas deveriam ser publicamente refutadas em quatro tipos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a que a acusa de ser “bandida”, assaltante de bancos, por isso vetada nos EUA. O que está em jogo aqui é o papel democrático heróico de uma geração contra a ditadura militar, fundamental para a conquista da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a que a acusa de ser contra a vida, contra a fé e o respeito às religiões, debochando de Deus ou Cristo. O que está em jogo aqui é o sentimento generoso cristão do projeto de Dilma, o fundamento do seu amor ao próximo, o seu respeito ao valor dos sentimentos de transcendência dos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a que a acusa de ser sem experiência, corrupta ou conivente com a corrupção: o que está em jogo aqui é o sentido público da vida de Dilma como gestora exemplar e o seu papel no governo que, como pode e deve se demonstrar, mais combateu a corrupção na história do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a que acusa de ser sem palavra ou falsa ou sem valores: o que está em jogo aqui é a coerência e integridade de toda a sua vida, da luta contra o regime militar à construção de um novo Brasil democrático no governo Lula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a disputa pela narrativa de sentido, pela agenda política da polarização, tudo passa a convergir para um centro estruturado de valores, idéias e personagens e realizações, promessas de futuro ou ameaças de crise. É neste centro de disputa, capaz de dialogar com a nova consciência democrática e republicana, das classes populares e das classes médias brasileiras, que Serra será derrotado e Dilma será eleita presidenta do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Juarez Guimarães é professor de Ciência Política da UFMG e autor de “A esperança crítica”, Editora Scriptum, 2007.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8299047976663038371?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8299047976663038371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8299047976663038371&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8299047976663038371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8299047976663038371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/10/dilma-ainda-la.html' title='Dilma ainda lá!'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-2078540069450404420</id><published>2010-10-01T11:07:00.000-07:00</published><updated>2010-10-01T11:08:35.546-07:00</updated><title type='text'>Para quem vai o voto negro?</title><content type='html'>Por Reginaldo Bispo&lt;br /&gt;Coordenador do MNU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tratamento dispensado por deputados, senadores, partidos e governo [leia Seppir] bancando e aprovando sem luta o Estatuto da Igualdade Racial do DEM, com a oposição da maioria das lideranças e do Movimento Negro Organizado brasileiro, coloca para negras e negros uma questão essencial: Porque deveríamos dar nosso voto aqueles que agem contra nossa vontade? Porque deveríamos favorecer a criação dessa empresa pessoal que é o mandato parlamentar? Por que deveríamos eleger deputados, senadores, governadores e presidentes, se os mesmos ignoram e desprezam as condições reais de vida e direitos da população negra, pobre e trabalhadora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O plano Nacional de Segurança Publica dos governos Lula/Serra/PMDB/PSB/DEM/PT está promovendo um verdadeiro genocídio da juventude Negra. Em cada 04 pessoas mortas pela policia, 03 são negros e estão na faixa de 15 a 24 anos e 01 vitima é branca, se encontrando em uma faixa etária elástica, de mais de 60 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A titulação das Terras Quilombolas foi irrisória nos últimos 08 anos. O Inesc acaba de divulgar relatório no qual denuncia que nos últimos 05 anos, foram gastos menos de 20% da verba orçada para as titulações, em um frontal desrespeito e pouco caso com as populações negras tradicionais. Entre janeiro de 2008 e junho de 2010, o governo federal titulou apenas 02 quilombos no RS, segundo o mesmo relatório, não suplantando 60 as titulações do governo Lula, dos quase 5000 quilombos em todo o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Recentemente a mídia divulgou que 72% das quase quarenta mil vítimas de trabalho escravo, no campo e na cidade, são negros. Isto espelha a violência e o atraso que vive nosso povo, vitimas da ganância de ruralistas e capitalistas criminosos neste país. Qual o papel de políticos e de juízes nesta questão. Recentemente a senadora Kátia Abreu do DEM-GO, parceira do Demóstenes Torres, defendeu publicamente os modernos escravistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A Lei 10.639 não é implementada por falta de interesse político dos governos federal, estaduais e municipais. O que fazem vereadores, deputados e senadores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Plano Nacional Contra a Discriminação Religiosa foi engavetado pelo governo, a pedido de evangélicos. Que tem pra nos dizer sobre isso a candidata Dilma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-As cotas para negros, nas universidades, no serviço publico, na propaganda e nos partidos políticos, estão ameaçadas com a ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade do DEM/PMDB, e com a Sanção do Estatuto da igualdade Racial pelo presidente Lula. O que farão deputados, senadores, o governo e os ministros do STF, sobre a questão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O racismo é mantido como uma arma para embarreirar as oportunidades de trabalho, melhores posições e salários, moradia, saúde, educação e condições de vida para negras e negros. Que tem a dizer sobre isso os candidatos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto no Lula e no Serra em 2002 e 2006, não melhorou a vida dos negros, da população pobre e trabalhadora. Ao contrario, carreou verdadeiras fortunas para as montadoras de carros, para os banqueiros, para a indústria de eletro-doméstico e para os ruralistas. Sem duvida, melhorando a vida dos políticos, dos empresários, dos altos funcionários dos poderes executivo, legislativo e judiciário. Aumentando as distancias e as desigualdades entre os mais ricos e a população mais pobre. É só observar que o dinheiro compra menos a cada mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o programa de governo interessa aos segmentos populares e marginalizados da População? Que democracia quer os trabalhadores e os pobres do Brasil, o direito de votar e passar necessidade? Ou a democratização das decisões, acabando com o fórum privilegiado para militares, policiais militares, políticos, juízes e governantes corruptos? Revogando mandatos, e mandando para a prisão os ladrões do dinheiro do povo e os sonegadores, e os funcionários público civil ou militar que cometam crimes contra o cidadão desarmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A reforma Agrária, um dos maiores tabus no Brasil beneficia a população do campo e da cidade. Porque o governo não a implementa? Porque em 08 anos assentou apenas 1/3 do prometido? Seriam os camponeses pobres prioridade do governo? Estariam eles interessados no bem estar daqueles brasileiros e no barateamento dos preços dos alimentos? E Quanto a questão do tamanho da propriedade da terra ter no máximo 1000 hectares, uma luta antiga dos Companheiros do MST, para uma efetiva Reforma Agrária e Urbana, pois a segunda e consecutiva da efetiva produção da primeira questão, a desconcentração de terra no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Regularização Fundiária dos Territórios Negros Urbanos sejam Quilombolas ou de Matriz Africana, é um desafio para consolidação de uma visceral transformação e mudança social nos grandes centros urbanos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A corrupção na política financia e inflaciona as campanhas eleitorais, custando muito caro ao povo. Reduz a capacidade de investimentos, a quantidade e a qualidade dos serviços públicos oferecidos a população. Inviabilizam as candidaturas de lideranças populares, impedindo-os de participar do pleito de defendendo projetos populares. Qual a Reforma Política e Eleitoral quer o povo para o Brasil? Defendemos o financiamento público de campanha com cotas para as representações negras políticas como forma de Reparação ao Povo Negro no Parlamento Brasileiro, e com rígidos mecanismos de controle social e com base nos direitos civis, sociais, econômicos e políticos da população negra do país que representa mais de 50% da população brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-No Brasil, quem paga imposto é assalariado. O imposto de renda é descontado do salário, não há como fugir do leão. Os impostos sobre todo tipo de produtos, pesam mis no bolso do trabalhador que do empresário e do rico. Quanto mais risco, menos impostos. Os ricos gastam seu dinheiro com supérfluos, produtos importados, aquisição de patrimônio, carrões, artes e viagem ao exterior. Geralmente não pagam impostos sobre essa acumulação e consumo. Os pobres por seu turno, não tem opção, pagam antecipado. O imposto é a forma de transferir renda e diminuir a pobreza. Que reforma tributária queremos para esse país se tornar mais justo, com todo seu povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A política econômica do governo convoca o povo ao endividamento e ao consumo, contraditoriamente, aumenta os juros para barrar o mesmo consumo. Ainda que muitos estudos de órgão competentes como o IPEA e o DIEESE expressem uma melhora sensível nos indicadores sociais brasileiros, quanto ao aumento de renda, poder de compra, geração de empregos, grande parte, são resultados de políticas de transferência de renda, as quais resolvem parte do problema, muitas vezes utilizando os programas de governo para fins essencialmente eleitoreiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aumentando a corrupção e os currais eleitorais e coligações cada vez mais espúrias para de manutenção do status-quo e de dominação econômica por parte dos grandes concentradores da renda no campo de na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não possui um projeto de política de desenvolvimento para contemplar a inclusão com trabalho e salários decentes o seu povo. Promovendo justiça social, igualdade, distribuição de renda e boas condições de moradia, saúde, educação, saneamento, transporte a toda a população. Ao contrario disso, é cada vez maior a diferença entre ricos e pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-A justiça no Brasil é lenta, parcial e cara, coisa de rico. De quem tem dinheiro e bons advogados. O pobre mofa na prisão por pequenos delitos. A justiça, a política, e a economia no Brasil estão voltadas para favorecer as classes privilegiadas, seus agregados e gerentes. Os juízes (como os políticos) definem seus próprios salários, seus cargos são vitalícios, decidem sempre a favor dos poderosos. É preciso democratizar a justiça com controle da sociedade. Que Justiça quer nosso povo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-As elites brasileiras são as mais nefastas do mundo. Só pensam em explorar os recursos naturais do país e seu povo, transformando o resultado disso, em enriquecimento pessoal. Agora mesmo, atuam para aprovar uma lei que violenta e degrada os recursos naturais e a preservação dos rios e das matas. Comprometendo a natureza e o planeta para as próximas gerações, em nome de lucros coorporativos sem nenhum beneficio social. A poucos meses o congresso legalizou milhares terras publicas griladas por latifundiários e seus jagunços, com a expulsão e assassinatos de trabalhadores sem terra, índios e quilombolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-O Brasil e suas elites não estão interessados em um projeto de nação que beneficie e faça crescer os direitos e a melhoria das condições de vida do povo e dos direitos da cidadania. Continuam concentrar seus projetos no enriquecimento das elites, veja a polemica recente sobre a exploração do pré-sal, que as elites e os políticos preferem entregar aos interesses privados e as empresas estrangeiras, com as quais mantém seus contratos, de modo a beneficiar-se, a empregar esses recursos em políticas que beneficiem todo o povo brasileiro. Qual projeto Político de Nação queremos para o país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses são alguns pontos que suscitam a reflexão dos brasileiros neste momento eleitoral. Que candidato, ou candidatos, a deputado, senador, governador e presidente se comprometeria com essas questões que serão determinantes para o futuro do país de nossos filhos e netos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As eleições passam, o racismo, a opressão, a violência e a miséria permanecem. É nossa responsabilidade pensar no legado que deixaremos para as futuras gerações, ou deixamos que os espertos e oportunistas se locupletem das riquezas da nação e de todo o povo? Os políticos e os partidos se comprometem com o que? Como? Mereceriam nossos votos? Reginaldo Bispo-Coordenador Nacional de Organização do MNU -Movimento Negro Unificado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-2078540069450404420?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/2078540069450404420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=2078540069450404420&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2078540069450404420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2078540069450404420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/10/para-quem-vai-o-voto-negro.html' title='Para quem vai o voto negro?'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-4815547712195784141</id><published>2010-09-27T06:41:00.000-07:00</published><updated>2010-09-27T06:47:48.462-07:00</updated><title type='text'>As 'armações monstruosas' e o jornalismo criminoso da Folha de S. Paulo</title><content type='html'>MONSTRUOSA ARMAÇÃO&lt;br /&gt;Brasília Confidencial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme “A Vila” não é lá grande coisa, mas seu cenário é cheio de metáforas: um lugarejo de onde ninguém ousa sair por medo de monstros que habitariam a floresta que o cerca. Alguém disse que os monstros existem, mas eles nunca foram vistos e ninguém tem coragem de procurar a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há exatos três meses, em 12 de junho, o maior jornal do país publicou uma notícia que, embora não citasse nenhuma fonte, era taxativa: um “grupo de inteligência” do comitê eleitoral de Dilma Rousseff usara dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, na montagem de um dossiê contra Serra. Descobriu-se depois que outros sigilos teriam sido quebrados – da filha de Serra, do genro dele, de mais dois tucanos de alta plumagem – e ficou estabelecido a partir daí, como fato incontestável, que todos os dados acabaram fazendo parte do mesmo dossiê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como as feras da floresta de “A Vila”, os monstros que habitariam o submundo da campanha de Dilma nunca foram vistos em ação. Não há provas de que algum crime tenha sido cometido. Não há sequer indícios de que alguma ação clandestina tenha sido praticada. E praticamente ninguém teve coragem de procurar a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que...A própria Folha de S. Paulo, autora da denúncia, publicou ontem, sexta-feira, uma notícia que desmente, uma por uma, suas acusações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 90 dias em que tratou as contestações de Dilma e do PT com arrogância, a Folha confessa, em texto sem assinatura, produzida pela sucursal de Brasília: o comitê de Dilma não produziu um dossiê; apenas teve acesso a um dossiê feito pelo PT de São Paulo há cinco anos atrás. Trata-se, na verdade, de uma papelada de cem páginas escrita pelo partido para solicitar que o Ministério Público e a Procuradoria da República investigassem possíveis irregularidades em privatizações tucanas, que poderiam ter beneficiado José Serra, sua filha e seu genro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Folha informa que o material que teria sido produzido pelo suposto “grupo de inteligência” da campanha de Dilma “é idêntico ao que o partido havia encaminhando cinco anos antes ao MP”. O jornal ainda confessa que as cem páginas produzidas pelo PT paulista resultam de “pesquisa em cartórios de registros de documentos, na Junta Comercial de São Paulo e em sites na Internet”. E mais: reconhece que “não há nesse lote de papéis indício de quebra de sigilo bancário ou fiscal”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há monstros na floresta. Apenas mentira e medo para assustar os “moradores da Vila”. A Folha também não se retrata. Limita-se a noticiar “naturalmente” que MENTIU. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante 90 dias os grandes jornais e revistas adotaram as acusações da Folha como postulado e ponto de partida para a cobertura dos vazamentos de dados da Receita. Nos últimos 20 dias, praticamente não se falou em outra coisa, inclusive no Jornal Nacional, que tem dedicado blocos inteiros ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém vai pagar por isso? No momento, quem paga é o eleitor, privado de informações isentas da impresa. No dia 3 de outubro, a conta finalmente poderá ser jogada na mesa da oposição. E a Vila toda, poderá, enfim, passear livremente na Floresta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem medo...Crê-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BRASÍLIA CONFIDENCIALwww.brasiliaconfidencial.inf.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-4815547712195784141?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/4815547712195784141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=4815547712195784141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4815547712195784141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4815547712195784141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/09/as-armacoes-monstruosas-e-o-jornalismo.html' title='As &apos;armações monstruosas&apos; e o jornalismo criminoso da Folha de S. Paulo'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-6295528382819342746</id><published>2010-09-08T15:10:00.000-07:00</published><updated>2010-09-08T15:27:25.146-07:00</updated><title type='text'>Minhas razões para não votar em Alckmin</title><content type='html'>Hesitei por muito tempo para escrever estas notas até porque há tempos perdi a inocência com o partido que amei. Mas minha esperança era que a campanha do Mercadente fosse mais corajosa e incisiva na discussão sobre os problemas que afetam todos nós aqui em São Paulo. A campanha tem sido pobre no que diz respeito ao debate de temas tão caros a nós. Falta mais firmeza em chamar os 16 anos do PSBD em São Paulo pelo seu nome mais apropriado: um desastre político, social e humano. Até mesmo as 13 propostas para São Paulo, apresentadas pelo candidato do PT carecem de mais vigor. Ouviu os movimentos? Ouviu as associações de classe, as igrejas, as gentes das periferias urbanas? São Paulo merece - e Mercadante tem competência para  oferecer - propostas melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um tempo em que o anel de tucum no dedo selava o compromisso cristão com a justiça social. Era (e é) uma característica daquela militância social comprometida com os mais pobres, doa em quem doer. É  pedir muito para Aloisio Mercadante no contexto em que a pobreza da imaginação política é uma doença que acomete as nossas melhores apostas políticas. Mas o anel de tucum no dedo do senador bem que poderia ser um convite às origens. Ao deixar de fora as questões mais espinhosas de São Paulo - como a violência policial contra os negros, o complexo industrial prisional, a privatização dos hospitais públicos, o estado como negócio privado, entre outros -  Mercadante perde a oportunidade de reunir uma frente ampla contra uma gente que continua imbatível em sua insensibilidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso dito, 13 razões para não votar em Geraldo Alckmin:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - POLÍCIA E JUVENTUDE NEGRA - A polícia paulista é uma das que mais mata no país. Nos últimos dez anos foram quase 6 mil mortes, a maioria de jovens negros e pobres das periferias de São Paulo, Baixada Santista, Campinas; (O PCB tentou fazer o debate via Odair dias, mas a Justiça concedeu liminar ao PSDB para retirar campanha do ar);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - SISTEMA PRISIONAL - São Paulo possui o maior contigente de pessoas encarceradas do país. No governo do PSDB houve um aumento de quase 200% na taxa de encarceramento, passando de 56 mil em 1996 para 167 mil em 2010. A maioria dos presos são jovens negros e pobres (só PSOL abordou o assunto até o momento);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - RDD -  Para combater a criminalidade, o governo paulista incrementou uma série de medidas que atentam contra o estado democrático de direitos. O Regime Disciplinar Diferenciado faz parte do pacote;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA - O número de pessoas em situação de rua no governo DEM-PSDB mais do que triplicou. Nem a Prefeitura de São Paulo sabe ao certo quantas pessoas moram nas ruas da capital. Os movimentos sociais estimam que haja 15 mil; A política pública para a população em situação de rua é a distribuição de sopa e/ou a polícia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - CAOS NA SAÚDE - Ao contrário do que a propaganda diz, o sistema de saúde em São Paulo piora a cada dia. Hemodiálise, quimioterapia, consultas médicas.....média de seis meses de espera;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - PRIVATIZAÇÕES - Os hospitais públicos estão sendo entregues à iniciativa privada por meio de transferência de recursos. São as grandes empresas médicas como Albert Eistein, Santa Marcelina, Siro Libanês que estam lucrando. Estrategia de atendimento: porta-fechada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 -   FALÈNCIA NA EDUCAÇÃO PÚBLICA -  São Paulo registra os piores índices na avaliação da educação pública de nível fundamental-médio. O desempenho pífio da educação pública em São Paulo foi explicada pelo PSDB como culpa dos nordestinos que baixariam a média paulista;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - SALÁRIO DOS PROFESSORES -  O governo do PSDB paga mal os seus professores e trata-os como bandidos. Quem não se lembra das cenas de violência contra as manifestações dos professores por melhores salários?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - HABITAÇÃO - A população das áreas de risco em São Paulo recebe da Prefeitura R$ 5 mil para desocupar a área. O dinheiro dá apenas para comprar um outro barraco em outra área de risco;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - ENCHENTES - O governo PSDB-DEM gasta mais com propaganda do que com a manutenção dos piscinões e a contenção de encostas. O último crime: a população do Jardim Romano (na capital) ficou mais de um mês embaixo d'àgua;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - CRACOLÂNDIA - Cracolândia não é apenas a região central de Sampa. A cidade inteira virou uma cracolândia! Faltam clínicas de atendimento. A política de combate ás drogas tem sido a prisão ou a morte;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - COTAS NAS UNIVERSIDADES - São Paulo é um dos poucos estados brasileiros a não adotar um programa de ações afirmativas nas universidades. As universidades paulistas são brancas e ricas. USP e Unicamp torraram milhões de reais em programas de inclusão sem impacto na redução das desigualdades educacionais entre pobres e ricos, negros e brancos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - AS POLÍTICAS PÚBLICAS DO PSDB: O PSDB reforça o caráter assistencialista, ao invés de valorizar a perspectiva dos direitos. Olhe só quais são as políticas públicas deles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRANSFERÊNCIA DE RENDA = Cesta básica, leve leite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGURANÇA ALIMENTAR = Bom prato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JUVENTUDE POBRE E NEGRA = Polícia, prisão e morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA = Sopa, albergue, vale-passagem para o nordeste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDUCAÇÃO = aprovação automática&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAÚDE: mutirão (feira da saúde)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGURANÇA PÚBLICA = 'resistência seguida de morte'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INCLUSÃO DIGITAL = Acessa São Paulo ( 1 hora de acesso nos poupa-tempos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chupa essa manga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaime&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-6295528382819342746?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/6295528382819342746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=6295528382819342746&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6295528382819342746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6295528382819342746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/09/minhas-razoes-para-nao-votar-em-alckmin.html' title='Minhas razões para não votar em Alckmin'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-2291498212384886306</id><published>2010-06-17T09:53:00.000-07:00</published><updated>2010-06-17T09:54:47.290-07:00</updated><title type='text'>Ouro de tolos: O Estatuto da Igualdade Racial e a submissão política negra II</title><content type='html'>Por Jaime Alves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Senado Federal aprovou no último dia 16 de junho a versão demostiniana do Estatuto da Igualdade Racial. Trata-se de um texto indigesto apenas palatável para aquela fatia minúscula do movimento negro que, protegida pelo manto clerical ou de olho em alguns dividendos para as eleições 2010, se submete (e a todos nós) a um constrangimento histórico. Depois de dez anos de luta, e para salvar algumas plataformas político-partidárias no apagar das luzes, um acórdão retirou as propostas mais substanciais do documento como: a reserva de vagas nas universidades públicas, as políticas de saúde específicas para a comunidade negra e a demarcação das terras quilombolas. Os três tópicos em si já representam a bandeira de lutas mais significativa do movimento negro porque elas são resultado de um acumulado histórico de reivindicações. Em nome de quem a meia dúzia de gatos pingados  endossou tão indecente proposta? A quem interessa um Estatuto que já nasce morto? O que a aprovação do Estatuto light tem a nos dizer sobre os processos de submissão política negra nos últimos anos? Por que a pressa em aprovar um Estatuto vazio de propostas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer generalizar a experiência pessoal para o conjunto dos movimentos negros, aqui vai um palpite: nos últimos oito anos, militando em um modelo de movimento onguista ‘particular’ em São Paulo, “aprendi” que agora é hora de negociar, que a história chegou ao fim, que já não há espaço para sustentar  um projeto radical de transformação social, de que a palavra de ordem agora é ocupar menos a rua e fazer mais  lobby político nos bastidores do poder, que ao invés das ruas, devemos ocupar a ponte aérea, os gabinetes. Aprendi que a palavra ‘raça’ deve ser retirada do vocabulário e ser substituída pelo eufemismo ‘diversidade’, que a palavra ‘reparação’ ou ‘justiça racial’ dever ser substituída pela mais palatável ‘igualdade racial’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste contexto de pobreza da imaginação política que a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial deve ser entendido. A palavra “radical” em certos círculos tomou uma conotação tão estranha e tão vazia de significados que soa com a mesma intensidade da palavra comunista no período da guerra-fria. Isso para não falar na palavra “utopia”, utopia negra, vista como um sacrilégio. E olhe que não falo de utopia como ideal irrealizável, mas como sonho e luta de transformação radical para deslocar as bases de poder na nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, da maneira como foi aprovado, o Estatuto representa uma carta de intenções genéricas que diz pouco ou quase nada sobre a luta do povo negro, mas que diz muito sobre o momento histórico em que vivemos. No entanto, o que mais me angustia no Estatuto aprovado não é o corte do senador Demóstenes Torres (ex-PFL-GO). O senador fala de um lugar racialmente privilegiado e incorrigível. Está defendendo os interesses do seu grupo. E disso não há duvida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que assusta é que, em um momento de refluxo c da luta social, em um momento em que os movimentos sociais da cidade e do campo sofrem uma aprofunda criminalização, quando intensifica o massacre da juventude negra nas periferias urbanas, algumas ‘lideranças’ – supostamente inspiradas por Zumbi  e pelo espírito santo – endossam uma proposta indecente como a que agora temos.  Admito que talvez eu esteja deprimido e admito que estar deprimido é um privilégio quando tantos estão sobrevivendo no inferno. Mas talvez devêssemos nos perguntar: por que a recusa fatalista da utopia negra?  Em nome de quem o Estatuto foi negociado? Não em meu nome!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-2291498212384886306?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/2291498212384886306/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=2291498212384886306&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2291498212384886306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2291498212384886306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/06/ouro-de-tolos-o-estatuto-da-igualdade.html' title='Ouro de tolos: O Estatuto da Igualdade Racial e a submissão política negra II'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-6357905345803499402</id><published>2010-05-23T09:57:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T10:08:00.545-07:00</updated><title type='text'>Estado Terror: Juventude negra e violência policial em São Paulo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/S_lfJH4p-aI/AAAAAAAACnE/ddlyNqhqRtc/s1600/brazil_police_sm.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/S_lfJH4p-aI/AAAAAAAACnE/ddlyNqhqRtc/s320/brazil_police_sm.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474511432385690018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;José Carlos Júnior, Roberto Aparecido Ferreira, Eduardo Pinheiros dos Santos , Alexandre Menezes dos Santos. O que há em comum na história de vida deles? Negros, pobres, jovens e moradoras da periferia, todos eles foram assassinados por policiais militares.  Apesar da PM insistir que são atos isolados, a periferia paulistana está cheia de tragédias humanas, cheia de mães que choram seus mortos na interminável violência policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Segundo dados do Mapa da Violência, da Unesco, os jovens negros têm 72% a mais de chances de serem mortos por armas de fogo. Em alguns estados, como Paraíba e Alagoas a taxa de homicídio entre eles é de mais de 300%. O mais preocupante é que apesar dos números, não há uma política pública de proteção à vida dos jovens negros urbanos. Em São Paulo, o que se vê é exatamente o contrário. A polícia paulista segue sendo uma das mais violentas do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para se ter uma idéia, entre 2003 e 2009 as polícias dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo mataram juntas um total de mais de 11.000 pessoas, a maioria sendo jovens negros. Em São Paulo, o artifício das “resistências seguidas de morte” são uma verdadeira carta-branca para a polícia seguir matando. De acordo com a Human Rights Watch, “nos últimos cinco anos, houve mais mortes em supostos episódios de “resistência seguida de morte” no estado de São Paulo (2.176 mortes) do que mortes cometidas pela polícia em toda a África do Sul (1.623), um país com taxa de homicídio muito superior a São Paulo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nos solidarizamos com as mães dos jovens negros assassinados pela PM, reconhecemos a conduta dos bons policiais e cobramos providências do governo do estado na mudança de orientação da PM e na garantia de políticas públicas para nossa gente. Afinal, a violência policial é a outra face da mesma moeda: as políticas de exclusão que condenam a juventude negra e pobre ao desemprego,  à violência e à falta de acesso à universidade pública. “Estamos por nossa própria conta...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A foto acima, da Anistia Internacional, é referente à operação militar em uma favela do Rio de Janeiro. Lá também se repete o padrão sistemático de mortes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-6357905345803499402?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/6357905345803499402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=6357905345803499402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6357905345803499402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6357905345803499402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/05/estado-terror-juventude-negra-e.html' title='Estado Terror: Juventude negra e violência policial em São Paulo'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/S_lfJH4p-aI/AAAAAAAACnE/ddlyNqhqRtc/s72-c/brazil_police_sm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-6367467641457247346</id><published>2010-04-28T20:59:00.000-07:00</published><updated>2010-04-28T21:23:57.117-07:00</updated><title type='text'>Facismo social e violência cotidiana na Pérola do Atlântico</title><content type='html'>Jaime Amparo-Alves*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem conhece a geografia do Guarujá, sabe que a cidade, vista de cima, tem o formato de um dragão. O que o turista desavisado, que chega pela rodovia Piaçaguera e se hospeda na orla marítima, não sabe é que o dragão mitológico que dá forma à Ilha pode ser também uma metáfora das  condições cruéis de existência dos milhares de miseráveis que sobrevivem nas encostas dos morros ou nos manguezais que abrigam as mais de setenta favelas do município. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob todos os ângulos, Guarujá é um desastre ambiental e humano. Mais do que isso, a cidade é uma metáfora do Brasil cindido, fraturado, dividido. Talvez em nenhum outro lugar o abismo social entre brancos e negros, ricos e pobres assuma uma dimensão tão profunda e tão cruel.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isolados da cidade formal, os pobres sobrevivem graças à teimosia.  Andam sob duas rodas porque o transporte coletivo tem preço exorbitante e é monopólio autorizado pelo poder público; vivem nas áreas de risco porque as áreas nobres são propriedade dos turistas ou da elite local; morrem nas filas das policlínicas porque o único hospital que atende pelo SUS está afundado em dívidas.  Em Guarujá, nada é absurdo. Até mesmo as praias têm dono. Por iniciativa oficial, os turistas de um dia – aqueles que são vítimas da mesma elite cínica que desce a serra para humilhar os pobres de lá – são impedidos de entrar na cidade. “É que são farofeiros e só trazem problemas para o município”, me diz um amigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada de novo na atual onda de violência que aterroriza os turistas e dá o combustível para a paranóia moral da mídia sensacionalista.  Se entendermos  a violência como um fenômeno social multifacetado - e não apenas como um ato isolado que tem no homicídio sua manifestação total  -  veremos que no Guarujá as suas vítimas preferenciais têm sido historicamente os pobres e negros. Para eles, as violências em suas formas física, estrutural e simbólica têm sido uma realidade cotidiana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema do Guarujá não se resolverá com políticas de segurança pública militarizada que têm como filosofia a eliminação dos cidadãos ‘indesejáveis’, como nos quer fazer crer a filosofia do medo disseminada pela mídia. O problema ali é que a cidade tem Estado penal demais e estado social de menos. Na verdade, a polícia tem sido a única política pública para a juventude negra e pobre segregada nos morros e mangues da Pérola do Atlântico. São eles, os jovens negros e pobres, os alvos preferenciais das políticas de tolerância zero que antecedem os feriados prolongados e as temporadas de férias. A palavra de ordem é “tirar de circulação” para que os turistas possam desfrutar a cidade em ‘paz’.  A paz para quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O principal combustível da atual onda de violência no município não é o PCC, mas sim o fascismo social que divide a cidade entre os bons e os maus, os cidadãos de 1ª, 2ª e 3ª categoria, os do morro e os do asfalto, os dos barracos e os dos condomínios fechados, os sem teto e os donos das praias públicas. Os policiais militares, ainda que queiram, não poderão resolver o que o poder público insiste em esconder debaixo do tapete: o terreno fértil das desigualdades estruturais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a elite guarujaense pode ficar sossegada. Este não é o fim do mundo para os seus negócios. Até a temporada de férias, o turista terá esquecido o drama dos miseráveis que fazem a cidade e terá chegado com seus dólares. Andando na orla ou no restaurante de um luxuoso hotel que ocupa o espaço público na praia da enseada, uma elite cínica e perversa desfilará charme e crueldade no seu exercício predileto de humilhar os pobres. A violência que hoje assusta terá ficado para trás. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, ali no alto do morro da Vila Bahiana, à altura da Rua Colômbia, uma pedra gigante teima em anunciar uma outra tragédia iminente. Fecho os olhos e vejo corpos esmagados. Mas isso não tira o sono de ninguém. Buon Appetito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*jornalista e pesquisador pela Universidade do Texas, em Austin&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-6367467641457247346?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/6367467641457247346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=6367467641457247346&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6367467641457247346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/6367467641457247346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/04/facismo-social-e-violencia-cotidiana-na.html' title='Facismo social e violência cotidiana na Pérola do Atlântico'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8269203516048618126</id><published>2010-04-15T15:59:00.000-07:00</published><updated>2010-04-15T16:05:19.955-07:00</updated><title type='text'>O Haiti nosso de cada dia</title><content type='html'>Rio: um desastre humano e ambiental&lt;br /&gt;Certamente você viu pela TV a tragédia que assolou o Rio de Janeiro. O que a mídia não mostrou foi a cor dos mortos. Afinal, 80% dos moradores das favelas cariocas são negros - a propósito, o mesmo padrão de segregação residencial que se repete nos morros de Salvador, nos mangues de Recife ou na hiper-periferia paulistana. A população negra da ‘cidade maravilhosa’ contou e continua sepultando suas vítimas. A culpa é da natureza, dizem os papagaios e cães-de-guarda do Cidadão Kane. Como no Haiti, desnaturalizar o desastre é a nossa tarefa! Afinal,a tragédia já faz parte da nossa experiência e será só questão de dias para sua repetição. Em alguma encosta, uma mãe negra perde o sono sempre que começa a chover....ou quando a polícia sobe o morro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8269203516048618126?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8269203516048618126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8269203516048618126&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8269203516048618126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8269203516048618126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/04/o-haiti-nosso-de-cada-dia.html' title='O Haiti nosso de cada dia'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-3097659580977610901</id><published>2010-03-30T09:37:00.000-07:00</published><updated>2010-03-30T09:56:11.255-07:00</updated><title type='text'>Quem tem medo de raça? A paranóia branca e as ações afirmativas no Brasil.</title><content type='html'>Jaime Amparo-Alves &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de original. Em um artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 18 de fevereiro, intitulado “Fora da Lei”,  Demétrio Magnoli reproduz com um atraso de dez anos a crítica feita por Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant sobre uma suposta importação do modelo de relações raciais estadunisense pelo movimento negro brasileiro e seus intelectuais. Em Sobre as artimanhas da razão imperialista  os autores acusavam os intelectuais negros estadunidenses de imperialistas culturais  – a crítica é direcionada principalmente, embora não exclusiva, ao livro de Michael Hanchard ‘Orfeu e o poder’ (2001)  - e a emergente academia negra norte-americana de impor uma falsa universalização do racismo aos países do chamado terceiro mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria um certo excepcionalismo brasileiro no campo das relações raciais que faria o Brasil ser diferente. Ainda, os autores rotulavam o intercambio – cada vez mais crescente – entre intelectuais negros dos dois países de tática estratégica para a imposição de um modelo bi-polar de relações raciais só presente na America do Norte.  As agencias de financiamento como a Fundação Ford aparecem na critica como o exemplo mais concreto do imperialismo cultural disfarçado de intercambio acadêmico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate que se seguiu à crítica de Bourdieu e Wacquant já é conhecido. John French, Edward Telles, Jocélio Telles, Michael Hanchard, entre outros, responderam dando o merecido crédito à autonomia intelectual negra no Brasil e mostrando que a tão propalada excepcionalidade brasileira não se sustenta quando contrastada com as condições de vida dos brasileiros negros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A volta ao debate nos dá a oportunidade de reenfatizar um aspecto central da experiência negra nas Américas: em todos os países negras e negros ocupam índices cruéis na hierarquia social. Não há nada de excepcional no quadro de relações raciais do Brasil e a similaridade nas ‘condições materiais de existência’ – em que pese suas especificidades – ajudam a tecer uma comunidade política imaginada e concreta, a Diáspora Africana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que há em comum na experiência dos jovens negros das favelas cariocas e os jovens negros dos guetos de Chicago ou Nova York? O que une o viver urbano de negras e negros do Haiti, da Colômbia, de Cuba, dos EUA, do Brasil, dos países africanos? Quais as especificidades e as semelhanças na representação midiática de negras e negros nas Américas e nas Áfricas? Portanto, para desconstruir o mito da suposta  importação acrítica do padrão de relações raciais dos EUA, teríamos que perguntar aos neo-freirianos do momento por que a fobia com a crescente conscientização política transnacional negra e por que os negros brasileiros aparecem em seus textos como incapazes de possuírem uma autonomia intelectual própria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal fobia está presente nos textos de Demétrio Magnoli. Em Fora da Lei, o autor repete as táticas já conhecidas nos seus textos anteriores. Trata-se do recurso lingüístico de imputar a outrem afirmações que ninguém fez.  Quem no movimento negro teria se oposto à defesa da qualidade do sistema público de ensino?  Quem teria afirmado a existência biológica de raça? Haveria uma incompatibilidade na luta pela democratização do acesso à universidade pública e a defesa da escola pública?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lugar social racialmente privilegiado, os neo-freirianos ambiguamente reconhecem a existência do racismo, mas não admitem a luta política contra suas manifestações cotidianas. É como se raça fosse uma construção social sem impactos reais diferenciados nas chances de vida e de morte de brancos e negros  - não é a toa que  O Atlantico Negro, de Paul Gilroy, ocupe hoje no Brasil, mesmo nos círculos radicais negros , um lugar de destaque. Esse social construtivismo na verdade esconde uma paranóia contra qualquer forma de organização política que questione a supremacia branca.  Ao contrário do que se quer fazer crer, o que orienta tais posicionamentos políticos não é a preocupação com o renascimento do ‘estado racial’ ou a suposta defesa da igualdade entre todos. Bobagem....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os terrenos estão bem demarcados e não há ingenuidade no debate: a organização política dos negros e negras representa uma ameaça real ao poder político-econômico de uma elite branca que tem na academia e na mídia seus principais instrumentos ideológicos.  Faz sentido, portanto, que intelectuais reconhecidamente competentes no repertório  acadêmico como Ivone Maggie, Peter Fry, Márcia Green, e agora Demétrio Magnoli se prestem ao papel de arquitetos do caos e invistam suas carreiras acadêmicas na construção do ‘apocalipse racial’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo não vai acabar com as cotas nas universidades públicas, como mostra o exemplo positivo da Universidade de Brasília - a primeira instituição federal de ensino superior a aprovar cotas para negros  - e das quase cem instituições públicas que adotam algum programa de ações afirmativas. Estas instituições estão recuperando o sentido republicano da universidade pública, ainda que após seis anos de cotas racias, a UnB ainda possua uma população afrodescendente sub-representada (eles são pouco mais de 3 mil dos 26 mil alunos). Mas a verdade é que  quem tiver curiosidade de estudar os números da inclusão verá que as cotas raciais começam ajudar o Brasil na longa marcha em busca do reencontro consigo mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ‘divisões perigosas’ que historicamente têm colocado em lugares sociais distintos negros e brancos – os primeiros nas favelas, nas prisões, na pobreza, nas estatísticas insidiosas da violência policial, no chão das fábricas e os segundos nas melhores universidades públicas, nos condomínios fechados, na direção dos conglomerados empresariais – são a verdadeira ameaça à efetivação da igualdade substantiva entre todos os brasileiros. A luta dos negros e negras por igualdade de direitos vai ajudar a consolidar a cidadania e transformar a democracia racial  em uma realidade concreta. Só a luta organizada por igualdade racial de fato poderá desbancar o mito da harmonia racial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ações afirmativas não farão surgir um tribunal racial nem criarão uma  ‘rotulação estatal dos cidadãos segundo o critério abominável da raça’.  De fato, ‘raça’- como empregada por Demétrio Magnoli - é um critério abominável, como o é sua má-fé e o seu cinismo de colocar na mesma cesta a luta do movimento negro pela igualdade racial e o estado nazista alemão. Ao reivindicar a categoria raça como identidade política, negras e negros o fazem a partir de uma perspectiva crítica e o fazem porque os brancos não deixaram outra escolha no campo das disputas políticas. Nesse sentido, tem sido ainda pouco explorada a discussão sobre a incapacidade da esquerda brasileira em incorporar a dimensão de raça em sua estratégia política. O reducionismo econômico da luta de classes é sintomático da dificuldade, mesmo entre os mais progressistas intelectuais de esquerda, em entender a experiência negra, mas esta é uma outra história. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Racialmente interpelados como ‘negros’ – com toda significação histórica que a palavra  carrega –  no contexto de desigualdades racialmente estruturadas negras e negros re-significam a categoria ‘raça’ e tecem uma nova identidade política. Fazem sentido da vida e dos seus encontros cotidianos racializados a partir da identificação com um grupo social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no embate político por direitos de cidadania novos brasileiros se reencontram com seu passado e quebram o paradigma da linha cromática sempre em direção ao branco, ainda melhor.  O reconhecimento da negritude está em sintonia com a celebração da diversidade étnico-racial tão forte entre nós. Mas é hora de celebrar a diversidade brasileira não apenas no futebol ou no botequim, como certa antropologia da cordialidade sugere. É hora de miscigenar os espaços de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  movimento negro está abrindo, no grito e na raça, uma porta ha tempos fechada. A intelectualidade negra cresce e com ela um novo paradigma na produção de conhecimento sobre as relações raciais no Brasil e nas Américas.  Não seria a resistência às ações afirmativas um sintoma da impossibilidade cognitiva dos brancos em reconhecer seu privilegio e o lugar de onde falam?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saber mais:&lt;br /&gt;Bourdieu &amp; Wacquant. As artimanhas da razão imperialista. Estudos Afro-Asiáticos, Ano 24, nº 1, 2002, pp. 15-33&lt;br /&gt;HANCHARD, Michael (2001). Orfeu e Poder. Movimento Negro no Rio e São Paulo. Rio de Janeiro, EdUERJ/UCAM.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-3097659580977610901?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/3097659580977610901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=3097659580977610901&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3097659580977610901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3097659580977610901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/03/quem-tem-medo-de-raca-paranoia-branca-e.html' title='Quem tem medo de raça? A paranóia branca e as ações afirmativas no Brasil.'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-1329044088638680871</id><published>2010-01-03T16:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T12:39:00.727-08:00</updated><title type='text'>De onde fala Boris Casoy?: Arrogância jornalística, cinismo cruel e fascismo social</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CMARLIA%7E1%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="metricconverter"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:595.3pt 841.9pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:35.4pt; 	mso-footer-margin:35.4pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 16pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Jaime Amparo-Alves&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Na noite do dia 31 de dezembro, o jornalista&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Boris Casoy fechou a conta anual da imprensa brasileira à altura do jornalismo praticado pela mídia gorda em 2009. Para os padrões éticos da imprensa nacional, não poderia ter sido melhor. No intervalo do Jornal da Band, o apresentador deixou escapar uma daquelas verdades guardadas no closet e disfarçadas sob o moralismo dirigido comum aos representantes da meia dúzia de redações do eixo Rio-São Paulo que comandam o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;jornalismo do país. Sob risos, Boris disparou: &lt;i style=""&gt;“Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Ainda que o comentário, por si só, deixe transparecer o que pensa um mais respeitados âncoras do jornalismo brasileiro sobre os garis, a infeliz frase de Casoy&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;apenas expressa a ponta de um complexo emaranhado ideológico que sustenta as distinções/hierarquias&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sociais em nosso meio e que tem na mídia um dos seus principais instrumentos. Mais do que ofender os garis e os telespectadores/as do Jornal da Band – e foi uma ofensa seriíssima -, a frase é expressão do jornalismo hegemônico que consumimos que por sua vez deve ser contextualizado nas nossas relações sociais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;A inteligentsia brasileira já tentou explicar essa arrogância social, esse desqualificar de certos grupos, a partir de uma &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;antropologia do &lt;i style=""&gt;jeitinho brasileiro – &lt;/i&gt;destaque para o famoso:&lt;i style=""&gt; ‘você sabe com quem está falando?&lt;/i&gt;. Tal antropologia, que tem Roberto Da Matta como seu maior expoente, identificou o desprezo às normas e as estratégias interpessoais de legitimação de poder e distinções sociais como regras da vida cotidiana. Marilena Chauí e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Paulo Sérgio Pinheiro identificam na herança do Brasil autoritário (a primeira no mito fundacional do país, o segundo nos períodos de estado de exceção) certo &lt;i style=""&gt;autoritarismo socialmente implantado &lt;/i&gt;que faz com que as dominações de gênero, raça e classe social sejam sistematicamente reproduzidas em nossa sociedade e encontrem eco mesmo entre as ‘vítimas’ preferenciais da nossa tradição violenta.&lt;span style=""&gt;  &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Se o jornalismo, como prática social, é reflexo da sociedade, então é razoável crer que o fazer jornalístico também carrega em si as mazelas e vícios sociais do seu tempo. É razoável, mas poucos têm reconhecido esse pertencimento/afinidade jornalística com os padrões perversos de reprodução das desigualdades e hierarquias. Desde a faculdade, jornalistas são semi-deuses/semi-deusas com o dedo em riste, prontos para – a serviço dos patrões – destruir biografias, criminalizar movimentos sociais, negar a existência do racismo, investir no caos.....&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;É a arrogância jornalística que entra em discussão aqui, não apenas no sentido da arrogância editorial de um veículo se portando como detentor da ‘verdade’absoluta, mas também na postura dos/das figurões da mídia gorda – âncoras, comentaristas, apresentadores – que emprestam a cara aos editoriais dos veículos que representam. Seria ingenuidade não considerar um aspecto central neste contexto: o controle dos patrões sobre a atividade jornalística. No entanto, os figurões em questão só o são porque representam bem o discurso dos proprietários dos meios onde trabalham. Todos os dias eles/elas estão aí com o seu moralismo dirigido –&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;no horroroso jornalismo policial de fim-de-tarde da Band, na estética dissimulada/sofisticada dos editoriais do Bom Dia Brasil ou nos comentários arrepiantes de um tal Arnaldo Jabor no Jornal Nacional, ambos da TV Globo.... E por aí não pára.... vide os textos indigestos dos colunistas de jornalões como Folha, O Globo e Estado, replicados na imprensa regional Brasil afora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Boris Casoy não está só no que pensa sobre os pobres. O seu insidioso comentário tem muito a nos dizer também sobre o que pensam os nomes da mídia grande sobre sua função social.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O desprezo pelos pobres e o silencio das causas gritantes da pobreza não encontra eco apenas no plano político partidário &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;onde uma certa afinidade com o discurso dominante orienta a prática ‘jornalística’ contra os partidos de orientação mais à esquerda. Também no plano social, esse moralismo dirigido investe pesadamente na criminalização dos movimentos sociais, das periferias urbanas e das pessoas em situação de rua..... Quem não se lembra das capas históricas da revista Veja sobre o MST (matéria de capa '&lt;em&gt;A tática da baderna&lt;/em&gt;' de 10/05/2000, por exemplo)?.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;i style=""&gt;“Que m..., dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.&lt;/i&gt; Ta aí.... Boris Casoy bebe da mesma fonte que sustenta o nosso &lt;i style=""&gt;fascismo social&lt;/i&gt; – como empregado por Boaventura de Souza Santos - &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;e que é amplamente difundido na humilhação diária a que são submetidos jovens negros no jornalismo policial com suas justificativas cínicas às mortes de supostos ‘bandidos’ nos ‘confrontos’ em ações da polícia, na adjetivação preconceituosa dos protestos urbanos por moradia ou na criminalização das mobilizações pela reforma agrária, na difamação da luta dos afrobrasileiros por ações afirmativas.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Assim como o presidente-metalúrgico agride a sensibilidade depurada dos nossos ‘gatekeepers’, ao escandalizar Casoy, o gari - “o mais baixo na escala do trabalho”&lt;i style=""&gt;- &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;de certa forma &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;expõe de onde falam os formadores de opinião da mídia gorda. A crítica dissimulada que fazem do poder a partir de uma retórica humanista cínica e vazia, não esconde o lugar social de onde falam e os valores que representam.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Aperte o cinto: concentrado em meia dúzia de redações no eixo Rio-São Paulo, o jornalismo hegemônico segue firme na sua promessa cretina para &lt;st1:metricconverter productid="2010. A" st="on"&gt;2010. A&lt;/st1:metricconverter&gt; contar pela maneira como Casoy iniciou o seu ano de trabalho, não há tréguas: as redações continuarão sendo lugar privilegiado para a legitimação de padrões de dominação. A não ser que a sociedade reaja – junto com as/os jornalistas conscientes da sua responsabilidade social -&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;em um movimento amplo pela democratização dos meios de comunicação e pelo controle social da atividade jornalística – por meio de um Conselho Federal de Jornalistas – garis, domésticas, nordestino/as, negro/as continuarão sendo objetos da violência simbólica e moral de quem deveria zelar pela dignidade humana. &lt;i style=""&gt;Isso é uma vergonha!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-1329044088638680871?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/1329044088638680871/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=1329044088638680871&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/1329044088638680871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/1329044088638680871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2010/01/de-onde-fala-boris-casoy-arrogancia.html' title='De onde fala Boris Casoy?: Arrogância jornalística, cinismo cruel e fascismo social'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-5431303165043228618</id><published>2009-12-16T10:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T10:14:13.200-08:00</updated><title type='text'>Estatuto da Igualdade Racial: o facão do DEM e a submissão política negra</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jaime Amparo-Alves&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) apresentou no Senado Federal outro  substitutivo ao projeto do Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS). Trata-se de mais uma das inúmeras emendas que transformaram o projeto original em uma piada de mau-gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na nova versão apresentada pelo senador do DEM (ex-PFL), se propõe tirar qualquer referência à palavra ‘raça’, desmonta por absoluto qualquer possibilidade de ações afirmativas nas universidades públicas, retira as propostas de políticas diferenciadas para a população negra no Sistema Único de Saúde, rejeita as políticas de combate à violência contra a juventude negra e contra a mortalidade materna negra, recusa a proposta de incentivos fiscais para as empresas que promoverem a diversidade étnica em seu quadro de funcionários. Tudo isso depois da devassa feita anteriormente e aprovada pela  Câmara dos Deputados. O que sobrou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobrou uma carta de princípios cheia de bobagens recheadas com verbos do tipo: incentivar,  possibilitar, valorizar...... Não vou me aprofundar nas justificativas do senador Demóstenes Torres porque a/o leitora/or deste jornal já sabe o lugar racialmente privilegiado de onde o senador fala. Também já não é segredo para nós os recursos discursivos de uma certa antropologia branca que utiliza estratégias sofisticadas para manter o privilégio racial dos seus representantes a partir da evocação de uma tal brasilianidade/cordialidade que supostamente nos torna iguais no botequim e no futebol. Ainda, dispensa comentários a paranóia branca para com o termo raça, o que revela a sua impossibilidade de ver a condição privilegiada em que vivem aqueles/las cuja cor da pele é fonte de lucro e prestígio.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detenho-me apenas na posição política do movimento negro frente ao Estatuto. Algumas entidades e tendências políticas - em que pese o esforço bem-intencionado de ver o documento aprovado visando gerar um marco legal para as lutas futuras - vêm negociando o projeto com um certo pragmatismo que incomoda e assusta. Incomoda porque tais organizações falam em nome de um movimento que a duras penas vem tentando criar uma unidade mínima naquilo que lhe é mais caro: a luta contra a hegemonia racial branca.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento negro é múltiplo em suas dimensões políticas, e é bom que se mantenha assim. Mas ao se outorgarem o papel de negociadores – geralmente são homens negros os portadores da voz destas entidades – da questão negra com o governo e com as forças políticas mais atrasadas, sem levar em conta o longo caminho percorrido na luta histórica,  algumas lideranças negras estão jogando na lata do lixo nossa tradição radical. Assusta porque as justificativas para a concessão – cada vez maior – de pontos importantes do projeto original se dão a partir de um fatalismo esquisito, com explicações que não convencem: cuidado, o Estatuto indígena está engavetado há 15 anos; o momento atual não comporta o confronto; é hora de negociação; esse papo de radicalismo é coisa do passado; utopia não enche barriga....Seria, de fato, o fim da História? Ou há uma pobreza em nossa imaginação política?    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o facão do senador Demóstenes Torres seja providencial para o nosso momento político. Não que eu comungue com a tese de que o pior Estatuto seja o melhor para nos unir – e essa não é a posição das entidades que agora negociam a aprovação do documento - , tampouco endosso a critica radical que caracteriza os líderes de tais organizações como os novos capitães do mato, mas tenho esperanças de que elas se dêem conta do suicídio político que se avizinha com a sua gradativa subordinação `as forças mais conservadoras do país e se unam ao coro daquelas que sustentam a autonomia política e as bandeiras históricas como princípios inegociáveis. Em nome de que e de quem falam tais líderes? Houve um processo amplo de discussão interna em suas respectivas entidades, como o fez corajosamente o MNU? Qual a justificativa para fazer tanta concessão em nome da aprovação de um documento que já nasce morto?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento, a derrota pode ser uma vitória. Se a versão anterior do Estatuto já deixava dúvidas quanto a sua eficácia no combate das desigualdades raciais, a atual já deveria estar descansando em paz. Explico: esta não é uma recusa histérica da mesa de negociação. Já aprendemos que ocupar os espaços de poder estratégicos é missão importante na luta anti-racismo e foi graças a esta estratégica que muitas entidades negras driblaram as artimanhas do nosso racismo. O que se pede é que não se perca de vista a linha tênue entre a negociação e a subordinação política.  Apoiar o Estatuto como está é agredir nossa história de lutas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ‘A História da Riqueza do Homem’, Léo Huberman nos conta a seguinte anedota: sabe como se caçava macacos nos tempos antigos? Os caçadores faziam buracos nos cocos pendurados nos coqueiros e enchiam-nos de açúcar. Os buracos eram feitos de forma que só passava a mão aberta do macaco. Com fome e desconfiados, os animais enfiavam as mãos nos buracos fechando-as cheias do produto. Era a hora da caçada: morriam mas não desistiam do açúcar. Pois bem, a natureza anti-negro do Estado brasileiro deveria, no mínimo, suscitar reflexões nos que agora falam em nome da causa negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*(In)felizmente, minha posição neste artigo não representa, necessariamente, o ponto de vista das entidades das quais faço parte.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-5431303165043228618?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/5431303165043228618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=5431303165043228618&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/5431303165043228618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/5431303165043228618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/12/estatuto-da-igualdade-racial-o-facao-do.html' title='Estatuto da Igualdade Racial: o facão do DEM e a submissão política negra'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-3401035763632168973</id><published>2009-10-09T12:36:00.001-07:00</published><updated>2009-10-09T12:36:27.433-07:00</updated><title type='text'>AS OLIMPÍADAS SÃO NOSSAS. E OS EMPREGOS?</title><content type='html'>Com a escolha do Rio de Janeiro para sediar os jogos olímpicos de 2016, o Brasil entrou definitivamente no seleto grupo dos países mais influentes do mundo. Se por um lado a conquista nos anima, por outro deixa dúvidas sobre quem irá usufruir dos frutos do empreendimento. Os governos municipal, estadual e federal irão gastar juntos   R$ 20 bilhões na construção de vila olímpica e na modernização da infra-estrutura urbana da cidade maravilhosa. A pergunta que não quer calar: como os pobres serão beneficiados? Haverá políticas de inclusão racial nos postos de emprego que serão gerados?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-3401035763632168973?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/3401035763632168973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=3401035763632168973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3401035763632168973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3401035763632168973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/10/as-olimpiadas-sao-nossas-e-os-empregos.html' title='AS OLIMPÍADAS SÃO NOSSAS. E OS EMPREGOS?'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-7083954553108615794</id><published>2009-10-09T12:34:00.001-07:00</published><updated>2009-10-09T12:34:29.689-07:00</updated><title type='text'>OBAMA GANHA NOBEL DA PAZ</title><content type='html'>O primeiro Presidente Negro dos EUA ganhou a premiação ‘por seus esforços diplomáticos em favor da paz mundial’, afirmou a BBC de Londres. Será que é mesmo assim? Obama não tem insistido na política do terror que marcou a “Era Bush”?  O que será que a população paquistanesa  – assim como a afegã e a iraquiana -  que continua submetida às tropas invasoras estadunidenses tem a nos dizer? Talvez o prêmio sirva para fazer Obama refletir sobre a paz em seu sentido mais pleno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-7083954553108615794?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/7083954553108615794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=7083954553108615794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/7083954553108615794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/7083954553108615794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/10/obama-ganha-nobel-da-paz.html' title='OBAMA GANHA NOBEL DA PAZ'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-2417364367784528082</id><published>2009-10-09T12:33:00.001-07:00</published><updated>2009-10-09T12:33:53.749-07:00</updated><title type='text'>BRASIL MOSTRA A TUA CARA!</title><content type='html'>Depois do brutal espancamento de Januário Silva, pelos seguranças da rede de supermercados Carrefur no mês passado, agora foi a vez de  Délcio Joaquim Gonçalves, segurança de uma escola de educação infantil ser agredido pelo engenheiro Alexandre Semenoff, morador dos jardins. O engenheiro foi preso em flagrante por crime racial, mas adivinhe: já está em liberdade. Segundo o advogado de Semenoff, tudo não passou de um mal-entendido. Cartão vermelho para a juíza Eliana Cassales Tosi de Mello que concedeu a liberdade ao pilantra. O crime de racismo é inafiançável e a pena varia de um a três anos de prisão, mas a aplicação da lei depende do juiz/juíza. Você conhece alguém preso por racismo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-2417364367784528082?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/2417364367784528082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=2417364367784528082&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2417364367784528082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2417364367784528082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/10/brasil-mostra-tua-cara.html' title='BRASIL MOSTRA A TUA CARA!'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8069064056872019198</id><published>2009-04-10T09:40:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T10:41:08.399-07:00</updated><title type='text'>Folha de S. Paulo: a ditadura escancarada, a ditadura envergonhada e a ditadura negada</title><content type='html'>Um editorial da Folha de 17 de fevereiro passado tenta reescrever a historia a partir da redação do jornal: no Brasil não houve ditadura militar do tipo sanguinário que se viu no Chile ou na Argentina. Aqui a ditadura foi ‘branda’, o que o jornalão chama de ‘ditabranda’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novidade o cinismo da Folha. Nas páginas do jornal o MST é tido como movimento da baderna, os movimentos sociais urbanos são criminalizados, a luta do  movimento negro pelas ações afirmativas recebe uma cobertura criminosa...nem o presidente da República escapa: jornalista da Folha traçou o DNA da família silva para provar uma tal propensão genética do presidente ao consumo alcólico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o novo 'deslize' da Folha, a arquirival Rede Record não perdeu a chance: em uma batalha interessante com a Globo, que tambem é sócia do jornal em um dos seus negocios, a Record saiu na frente e exibiu no ultimo domingo reportagem de 14 minutos no Domingo Espetacular mostrando um escândalo que o Brasil misteriosamente esqueceu: a participacão da Folha de S. Paulo no golpe de 64. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1fsPfr6TvUQ&amp;feature=channel"&gt;Assista o video aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Folha não está só quando o assunto é o rabo preso com a ditadura. Ainda está por ser feita uma análise dos editoriais dos jornais nos dias que antecederam a ditadura militar no Brasil. Assim como a midia grande se empolgou com a derrubada de Lula no auge da crise do mensalão, naquela época virulentos editoriais do Correio do Povo pediam a deposição de João Goulart, enquanto as Organizações Globo e os Diários Associados  forneciam o combustivel ideológico do novo regime. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de ser a TV que o Brasil merece, a Record acerta em mostrar a participação da Folha na ditadura de 64. Caberia agora a luta pela exibição do filme Muito Além do Cidadão Kane (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=JA9bPyd1RKQ"&gt;assista aqui&lt;/a&gt;), um documentário da BBC de Londres sobre a participação das Organizações Globo na nefasta ditadura. O filme foi censurado no Brasil por pressão da Globo, mas continua online no youtube e é um otimo recurso pedagogico para entendermos a relacão incestuosa entre liberdade de imprensa e ditadura midiática no Brasil contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo o seu elitismo, o debate sobre a verdadeira intensidade da ditadura militar pouco importa para as vastas populações negras brasileiras para quem a ditadura é uma condição permanente: torturas e mortes sob as mãos do aparelho do estado é regra, não é e nunca foi exceção para negros e nordestinos. No entanto, o momento representa uma oportunidade para o Brasil conhecer melhor onde estavam os donos do poder 'quando a luz se apagou'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui fica a frase de Maria Victoria Benevides, em entrevista a Carta Capital: “O que fazer? Muito. Há a imprensa independente, como esta CartaCapital. Há a internet. Há todo um movimento pela democratização da informação e da comunicação. Há a luta – que sabemos constante – pela justiça, pela verdade, pela república, pela democracia. Onde quer que estejamos.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8069064056872019198?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8069064056872019198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8069064056872019198&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8069064056872019198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8069064056872019198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/04/folha-de-s-paulo-ditadura-escancarada.html' title='Folha de S. Paulo: a ditadura escancarada, a ditadura envergonhada e a ditadura negada'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-2153332330564516884</id><published>2009-03-25T20:16:00.000-07:00</published><updated>2009-03-25T23:42:37.087-07:00</updated><title type='text'>Carta Aberta ao Senado Federal</title><content type='html'>São Paulo, 25 de Maio de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezadas Senadoras,&lt;br /&gt;Prezados Senadores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-lhes para unir-me ao coro daqueles senadores e senadoras contra o Projeto de Lei da Câmara 180/2008 – que institue reserva de vagas para afrodescendentes e pobres em geral em todas as universidades públicas. Tal projeto nao é apenas um insulto, como tambem é insustentável em uma nação socialmente ética e racialmente justa como a brasileira. Eu pessoalmente, sou fruto dessa nação, terra das oportunidades. Nordestino, negro, estou em São Paulo desde 1994 buscando meu lugar ao sol nesta terra do homem cordial. Meus encontros com a violência policial, as humilhações diárias nos shopping centers, os anos de subemprego, o certificado de incompetência outorgado pelo vestibular da universidade pública e a carga diária de trabalho violenta para pagar a mensalidade na universidade privada não são suficientes para convencer-me de que a cor da pele é instrumento poderoso na definição do acesso aos bens sociais no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seria um absurdo intolerável tentar corrigir as injustiças de mais de 300 anos de escravidão a partir de ações estatais estratégicas de redistribuição da riqueza construída com o sangue das nossas avós e avôs. Vossas Excelências têm razão: o atalho mais cômodo e com menos custos políticos é persistir nos ideais universalistas já inscritos na nossa Constituição e muito bem defendidos por nossos negrólogos. Afinal, quem é negro nesse país? Todo mundo teve uma avó com o pé na ‘cozinha’, ainda que seja difícil explicar porque as mulheres negras continuam lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu apelo ao Senado, no entanto, é que ao votar contra o projeto das cotas, assuma também o risco social de tamanha bravura. O Brasil negro cresce a cada ano. Não que ele já não exista, mas pela primeira vez em nossa história republicana acontece uma coisa estranha, que está incomodando: mais pé-rapados, desgraçados, humilhados, ‘condenados da terra’  se identificam com a negritude negada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Levando, pois, em conta tal fenomeno, Vossas Excelências bem que poderiam fazer o cálculo matemático e político de quanto tempo seria necessário investirmos em medidas universalistas de acesso a bens vitais como saúde, educação e acesso `a terra para resolvermos o inconveniente problema que insiste em desafiar o fantasma de Gilberto Freire e seus seguidores. A verdade é que Vossas Excelências precisam colocar um ponto final nos desvarios das radicais loucas e os radicais esquizofrênicos do movimento negro que querem ressucitar um monstro que nosso país enterrou com a assinatura da Lei Áurea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu conselho, como herdeiro destes 500 anos de pau-brasil, é que votando contra o PL das Cotas, V. Excelências elaborem um argumento um pouco mais convincente, que ajude a sustentar a idéia da excepcionalidade brasileira no campo das relações raciais. Embora eu entenda o lugar racial de onde os senhores e senhoras senadoras falam, tenho falhado miseravelmente em convencer a minha mãe de que banir ‘raça’ do vocabulário político é a solução mais justa e mais ética para que meus irmãos tenham acesso `a universidade pública. No mesmo sentido, confesso que ainda não tive coragem de explicar ao meu sobrinho de 13 anos que seus encontros diários com a violência na periferia de Brasília não têm nada a ver com a cor da sua pele. É ilusão de ótica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, estou quebrando a cabeça com as contas mórbidas da violência contra os homens jovens negros na periferia das capitais brasileiras. Embora nao tirem um minuto do meu sono, os numeros desafiam minha cegueira racial. No entanto, sendo mais sensiveis que eu, e sendo os seus currais eleitorais, Vossas Senhorias sabem o que significa morar na periferia de Maceió, de Recife, ou de Brasília onde a taxa de homicidios entre os homens negros é 300% maior do que a de homens brancos na mesma faixa etária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso julguem pertinente, e ja desculpando minha ousadia, eu poderia ajudar a sua assessoria parlamentar com um argumento - um pouco fora de moda mas ainda com poder de persuasão. Seria um argumento baseado na luta de classes e no esvaziamento do sentido político da categoria ‘raça’ empregado pelo movimento negro. Estratégicamente, poderíamos começar com um jogo de retórica debitando na conta dos militantes negros o dever de negar o que talvez nem Nina Rodrigues, se vivo fosse, teria coragem de sustentar: a base científica/biologica de raça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estabelecida a confusão, poderíamos argumentar que o problema do Brasil não é de raça, mas de classe, que lutando por uma bandeira universal de acesso dos pobres aos bens públicos poderíamos atender `a clientela negra. Poderíamos também usar os argumentos das ‘divisões perigosas’ daqueles intelectuais progressistas, os editoriais impaciais dos grandes jornais do país e a TV do Jardim Botânico que dispensa adjetivos. Atenção: ter a mídia e um bom pedaço da inteligentsia brasileira ao seu lado é o grande trunfo para manter a hegemonia do Brasil racialmente cego, ainda que tal hegemonia se traduza na prática na dominação racial dos azarados por nascer pretos e pardos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar, desconfio que Vossas Excelências precisam ter um plano emergencial para o Brasil nos próximos 100 anos, uma vez que os ideais republicanos da igualdade de fato ainda não se concretizaram e não parecem concretizáveis nesse século. Vossas Exclências poderíam estabelecer um Estatuto da Cordialidade com as seguintes medidas: privatizar as universidades públicas para que o mercado corrija as desigualdades que por ventura ai se encontrem; investir pesadamente no aparelho policial para impedir que jovens rebeldes desçam os morros e exijam  pela força o acesso aos bens que acham que lhes são negados; murar as favelas ao redor das nossas capitais para que as insurreições que se desenham no horizonte não pertubem a ordem pública. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim, uma medida ainda mais importante é estabelecer a pena de morte como solução para dois problemas que insistem em perseguir a nossa nação cordial: tirar das mãos da polícia o monopolio de limpar a sociedade, dar fôlego `as cadeias brasileiras já superlotadas. Ademais, estamos de saco cheio de sustentar essa gente que não quer trabalhar nem estudar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva a República! Viva a democracia racial brasileira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jaime Amparo Alves&lt;br /&gt;amparoalves@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-2153332330564516884?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/2153332330564516884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=2153332330564516884&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2153332330564516884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2153332330564516884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/03/carta-aberta-ao-senado-federal.html' title='Carta Aberta ao Senado Federal'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-4220800089884633264</id><published>2009-03-13T20:54:00.000-07:00</published><updated>2009-03-13T21:28:47.184-07:00</updated><title type='text'>Relembrando Franz Fanon: nossos encontros com a violência</title><content type='html'>“Negro Sujo! Mãe, olhe um negro!&lt;br /&gt;Estou com medo, ele vai me comer..."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;'O meu corpo foi devolvido para mim despedaçado, distorcido, naquela manhã de inverno'.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer pessoa negra no Brasil entenderá aonde quero chegar com a frase acima, retirada do clássico &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Pele negra, máscara branca&lt;/span&gt;, de Franz Fanon. A maneira como o corpo negro é lido, consumido, devorado  nos nossos encontros diários com a violência mostra como funciona a economia do racismo brasileiro. Mas não é aí que eu quero chegar. Tanto Franz Fanon, quanto qualquer jovem negro nas periferias urbanas desta terra sabem que mesmo se quisessemos apagar a palavra 'raça' do nosso vocabulário político, haveria sempre uma arma, ou um dedo, apontada a nos indicar nossa posição subalterna e inferior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando 'nossos' intelectuais brancos defendem uma ingênua – embora não neutra e não menos cínica – descartabilidade da categoria raça do vocabulário político, partem de uma posição privilegiada de quem não precisa ser confrontado com a realidade diária dessa ficção. Interpolados como negros nos encontros diários com o terror, re-significamos tal categoria como instrumento estratégico de luta contra o racismo. Ainda que quiséssemos, estamos longe de apagar ‘raça’ do nosso vocabulário porque raça define posiçoes sociais e acessos ao poder. Dadas as estatisticas da violência, raça define quem vive e quem morre. O texto abaixo representa um destes encontros com raça:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;De Fanon a Marcos Antonio da Silva:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Olá, aproveito a mensagem enviada por uma amiga para relatar o que aconteceu comigo na noite de ontem(11/03, quarta) na avenida Hélio Prates: Um policial militar que acabava de sair de seu turno, dirigia seu carro atrás do meu nesta avenida que se encontrava vazia por voalt das 23:30h. De repente percebi que este dava luz alta, como estávamos passando por uma barreira eletrônica e logo em seguido por um radar no cruzamento da L norte com a M norte achei que fosse algo relacionado com a velocidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo depois o policial alinhou o seu carro ao lado do meu e ameaçou me multar dizendo que eu tinha de ter dado passagem para ele. disse a ele que a velocidade é controlada por radar e que estávamos num perímetro com uma barreira eletrônica e um pardal muito próximos, logo ninguém podia exceder na velocidade e sim reduzir. &lt;br /&gt;Logo a frente o semáforo fechou e o policial começou a me ameaçar verbalmente e eu respondi que ele fizesse o que bem achasse melhor, se irritou por eu não me curvar diante de sua coerção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele desceu do carro dele, puxou e me apontou a arma e me mandou descer do carro com as mãos na cabeça. Neste instante eu sai do carro e disse a ele que não faria o que ele estava mandando, mostrei para ele que era militar, me identifiquei, o semáfaro abriu e continuamos ali, ele insistindo em me humilhar e me tratar como um bandido, em nenhum momento me curvei, gritei para todos os motoristas próximos que ele, o pollicial, estava me coagindo, usando de abuso de poder. ele ligou para os comparças dele para me prender. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei meus documentos e corri para a 17ª delegacia que fica bem próximo ao semáforo, chegando lá contei que o policial estava a me maltratar  e pedi abrigo. Um agente foi até ele e com ele conversou, voltaram os dois e conversamos, quis fazer um B.O, o agente se negou alegando que não era preciso que tudo poderia se resolver ali, de forma amigável. Não insisti, pois estava muito revoltado com tudo aquilo, só lhe falei que uma farda e uma arma não me assegurava que quem a usa é um policial, poderia ser um bandido. Disse a ele que não era um moleque, que conhecia meus direitos e exigi respeito. No fundo ele queria que eu me curvasse e eu não me curvei, exigi que ele se identificasse também e isso o irritou,pois ele se achava o dono da situação. ele foi embora e depois de alguns minutos fui eu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi muito ruim, eu estava só diante de policiais, policiais que eu não confio 100%. Se eu não estivesse próximo a uma delegacia, ele seria capaz de me maltratar, até me matar e alegar legítima defesa. Não me sinto seguro, não me sinto respeitado. eu só sou mais um neste submundo. ‘Deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar’ (Marcelo D2).&lt;br /&gt;Abraços cor de ébano”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-4220800089884633264?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/4220800089884633264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=4220800089884633264&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4220800089884633264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4220800089884633264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/03/relembrando-franz-fanon-nossos.html' title='Relembrando Franz Fanon: nossos encontros com a violência'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-2727083006785104777</id><published>2009-03-04T21:36:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T22:19:31.883-08:00</updated><title type='text'>Miriam Leitão e o Mercado:  a doutrina que seduz</title><content type='html'>Direto ao ponto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu particularmente sou fã da Miriam Leitão quando fala sobre a opressão racial no Brasil. Meu primeiro encontro com a jornalista global foi quando da minha passagem pela Educafro como assessor de coordenação e a Miriam veio a São Paulo para a cerimônia na Câmara de Vereadores quando da entrega de titulo de cidadão paulistano ao frei David. A Miriam fez um discurso eloquente e como sempre, foi direto ao ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que não me agrada na jornalista global é a contradição trágica entre a sua defesa da justiça racial no Brasil e sua posição radicalmente conservadora, irritante, na defesa do Deus-Mercado. Quem vê a Miriam nos telejornais da ‘grobo’ defendendo a ditadura do mercado (e aqui se inclue o pacote da violência neoliberal: cortes sociais, aperto nos gastos públicos, privatizações, flexibilizacão das leis de trabalho....) não entende tamanha disparidade de raciocínio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justiça social para o povo negro não pode e não é dissociada da ruptura com um modelo perverso que joga nossa gente nas ruas, nas favelas, no desemprego, nas prisões, nas estatísticas da morte. Defender ‘as regras do jogo’ do mercado - e sua ética da conveniência como se vê na atual (eterna) crise - e ao mesmo tempo defender a bandeira do povo negro é brincar com uma luta histórica pelo direito `a existência; uma luta que tem na distribuiçao dos bens econômicos e na reconfiguração de poder uma das principais razões de ser.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ocupamos ruas e praças na luta pela igualdade de condições, não estamos apenas buscando o direito `a diferença e `a igualdade abstrata em um modelo de sociedade inerentemente anti-negritude. Queremos um outro modelo de sociedade que tenha a justiça como princípio. O modelo atual - tão bem defendido pela/os jornalistas do mercado – representa a antítese da libertação do povo negro! O Deus-Mercado é a outra face da "doutrina que seduz"!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-2727083006785104777?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/2727083006785104777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=2727083006785104777&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2727083006785104777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/2727083006785104777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/03/miriam-leitao-e-o-mercado-doutrina-que.html' title='Miriam Leitão e o Mercado:  a doutrina que seduz'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8968713226136151444</id><published>2009-03-04T20:48:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T21:41:40.227-08:00</updated><title type='text'>O terror nosso de cada dia</title><content type='html'>Por Lélia Gonzalez&lt;br /&gt;Fonte: &lt;a href=" http://www.irohin.org.br "&gt;http://www.irohin.org.br &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negra baiana, baixinha, ágil, cheia de graça. Bonita de uma beleza que se espraiava pelo corpo forte e bem feito (enxuto, melhor dizendo), pelo sorriso gostoso e matreiro, pelo olhar agudo e luminoso. Inteligência, sensibilidade e competência profissional, enriquecidas no tempero de uma exuberante alegria de viver. Conheci Tininha há alguns anos atrás em casa de um amigo, onde ela trabalhava como diarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Categorias ocidentais como empregada doméstica, criada, auxiliar ou qualquer coisa do gênero, criadas pelas classes dominantes, não tinham nada a ver com ela concretamente. Afinal, ela sempre escolhia o tipo de “patronagem” que queria ter, acabando por comandar as ações nas casas onde trabalhava, e mesmo fora delas. Não me esqueço do dia em que entrei numa butique em Ipanema, e lá estava Tininha, com tudo em cima, gerenciando os negócios da patroa. Lembrei-me, então, de suas ancestrais iorubas. Talvez porque ela nunca se iludiu a respeito de sua condição de mulher negra numa sociedade como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascida e criada em Salvador, onde se casou, o marido a abandonou, deixando-a com quatro filhos. Em busca de um futuro melhor, Tininha veio para o Rio com suas crianças. E foi à luta. Trabalho duro, dupla jornada. Conheceu um novo amor, que durou um bom tempo e lhe deu mais três filhos. Sempre que podia, ela voltava à cidade natal para rever a mãe que lá ficara. Isto, graças ao fato das crianças irem crescendo e trabalharem para ajudar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, no final de março deste ano, Tininha partiu para Salvador, deixando o filho mais velho, Jorge, com a tarefa de cuidar dos irmãos menores. Mal chegou ao Curuzu. Um telefonema e uma passagem aérea (dada pela patroa que a chamara) obrigaram-na a voltar. Duas noites após a partida de Tininha, alguns homens bateram à porta de sua casa em Nilópolis, Baixada Fluminense. Não era tarde, mas Jorge, que passara o dia carregando/descarregando caixas da Brahma, já estava deitado. Levantou-se, abriu a janela e, desculpando-se por não abrir a porta pelo fato de não os conhecer, perguntou-lhes o que queriam. A resposta foram dois tiros à queima-roupa. Eram policiais. Mas por que Jorge, trabalhador sério, com carteira assinada e tão querido por todos do lugar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge havia cometido um erro fatal. Tirara uma foto ao lado de alguém procurado pela polícia, após um jogo de futebol, num angu comemorativo da vitória do time local. Na busca do “bandido”, os policiais, depois de invadirem e quebrarem o que puderam em sua casa, forçaram sua mãe a lhes dar uma foto do filho. E ela só tinha uma, a do campo de futebol. E Jorge, trabalhador negro, arrimo de família, filho e irmão dedicado, não soube porque foi assassinado. A imprensa silenciou sobre esse “acidente de trabalho”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em junho, num encontro do Movimento Negro da Baixada Fluminense, justamente a respeito da violência policial, foram apresentados os seguintes dados a respeito dos corpos de “justiçados” que deram entrada no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, no período entre 01/01 a 31/01: 305 brancos, 635 negros e 170 não identificados. E todos sabem que uma verdadeira guerra de extermínio instaurou-se de 15 de março para cá e da qual nem nossas crianças negras escapam. Quatro delas feridas no morro da Mangueira e, para culminar, o assassinato brutal, com um tiro na testa, de Estela Márcia dos Santos, 13 anos, no morro do Tuiuti. “É a polícia do Moreira”, diz o povão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Tininha, mandou os filhos para Salvador. Enquanto isso, desenvolve verdadeira peregrinação junto ao Inamps, para conseguir a magra pensão de Jorge, a que ela e os filhos menores têm direito. Profundamente revoltada, ela insiste e não desiste. Só depois, então, retornará a Salvador, ao encontro da “Negrice cristal/Liberdade-Curuzu”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Jornal Raça &amp; Classe, Brasília, ano 1(2):8,1987.&lt;br /&gt;Reproduzido do irohin em: http://www.irohin.org.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8968713226136151444?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8968713226136151444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8968713226136151444&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8968713226136151444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8968713226136151444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/03/o-terror-nosso-de-cada-dia.html' title='O terror nosso de cada dia'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-8032230581725935141</id><published>2009-02-13T00:47:00.000-08:00</published><updated>2009-02-13T01:24:39.683-08:00</updated><title type='text'>Isis Aparecida Conceição: a mulher que desafiou a USP</title><content type='html'>Isis Aparecida Conceição,moradora da periferia paulistana, ex-aluna da Educafro,advogada do Tribunal de Justiça, mestre em Direito pela Universidade de São Paulo. Somente ela sabe o quão dificil foi driblar a monstruosidade do racismo institucional da USP. A Universidade segue imbatível com seu guetto eurocêntrico e seu cinismo cruel. A USP é mantida com dinheiro público. Ao transferir verbas arrecardadas dos impostos da coletividade (parte do ICMS paulista vai direto para USP, Unesp e Unicamp) para os filhos da elite, o governo de Sao Paulo se transforma em uma espécie de Robin Hood `as avessas: tira dos pobres e dá aos ricos. Negros ali? Ah, sim: o jardineiro,o porteiro, o motorista da reitora, a copeira, e a nossa Isis. &lt;br /&gt;É hora de ocupação permanente da USP! Cotas já!&lt;br /&gt;Cuidado, a paz é fruto da justiça.....&lt;br /&gt;Clique &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FDZ2KdPlZGE"&gt;AQUI &lt;/a&gt;e assista a reportagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-8032230581725935141?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/8032230581725935141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=8032230581725935141&amp;isPopup=true' title='52 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8032230581725935141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/8032230581725935141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/02/isis-aparecida-mulher-que-desafiou-usp.html' title='Isis Aparecida Conceição: a mulher que desafiou a USP'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>52</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-3329604989644532014</id><published>2009-02-02T19:42:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T20:42:48.082-08:00</updated><title type='text'>O boi pelo bife: A midia grande no confronto em Paraisópolis:</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/SYfG_6eZfMI/AAAAAAAACBE/NjmSP9J9uCI/s1600-h/20090202-paraisopolis06.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/SYfG_6eZfMI/AAAAAAAACBE/NjmSP9J9uCI/s320/20090202-paraisopolis06.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298422287955492034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há um ditado africano direto e certo: enquanto os leões não tiverem os seus próprios contadores de história, os caçadores serão sempre os vencedores.&lt;br /&gt;A cobertura do Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo - os dois jornalões da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;paulicéia&lt;/span&gt; elite &lt;span style="font-style:italic;"&gt;desvairada&lt;/span&gt; – na repressão policial da manifestação dos moradores da favela de Paraisópolis na zona sul de Sampa, faz o ditado africano cair como uma luva aqui. Quem perder tempo lendo Folha e Estado verá que as notícias são contadas do ponto de vista oficial. As fotos, tomadas da posição geográfica da polícia dão a dimensão de que ponto de vista falam os jornalistas de ambos jornais. Nem uma linha, nem que seja para disfaçar, questionando a polícia sobre a morte de um morador dias antes, preso com um carro roubado em uma operação policial. Fizessem jornalismo de fato, Folha e Estado não justificariam as depredações e disturbios `a ‘ordem pública’, mas ajudariam seus leitores a contextualizar os fatos. Temos, ao contrário, o que Perseu Abramo chamaria de passar o  ‘o boi pelo bife’, ou seja, não mente, edita. Não inventa,faz-se crer que pelas vozes oficiais a totalidade do mundo é explicada. Uma coisa é certa: a notícia nas paginas dos jornalões de São Paulo é contada de maneira tal que nos sentimos compelidos a concordar com o desejo de vingança que sai da caneta dos jornalistas. Parabéns!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na foto acima, da Folha de S. Paulo,o mundo visto na perspectiva da força da câmera  e das armas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-3329604989644532014?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/3329604989644532014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=3329604989644532014&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3329604989644532014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3329604989644532014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/02/o-boi-pelo-bife-midia-grande-no.html' title='O boi pelo bife: A midia grande no confronto em Paraisópolis:'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/SYfG_6eZfMI/AAAAAAAACBE/NjmSP9J9uCI/s72-c/20090202-paraisopolis06.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-4712022091827525736</id><published>2009-01-14T19:18:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T19:42:22.222-08:00</updated><title type='text'>A midia grande e os padrões de manipulacão na cobertura da guerra de Israel</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/SW6v6097DWI/AAAAAAAABaw/Ij83ps8Y09Y/s1600-h/israel.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/SW6v6097DWI/AAAAAAAABaw/Ij83ps8Y09Y/s320/israel.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291360037392551266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um texto supostamente creditado à jornalista Mona Baker, do britânico The Translator, traz 12 pontos criticos para entendermos os "padroes de manipulacao" na cobertura da Guerra de Israel feita pelas grandes agencias de noticias (leia-se AP,CNN, Reuters, BBc e outros gatos pingados que monopolizam o que lemos e vemos ao redor do mundo). Hoje, vejo na CNN, por exemplo, uma entrevista com um dos pilotos israelenses dos avioes F-16, justificando as mortes de civis como "efeito colaterais". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue a relacao:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) No Oriente Médio são sempre os Árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. Essa defesa chama-se represália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isso se chama ''terrorismo''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama ''legítima defesa''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama ''Reação da Comunidade Internacional''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso se chama ''Seqüestro de pessoas indefesas.''&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6) Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de dez mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isso se chama ''Prisão de terroristas''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7) Quando se menciona a palavra ''Hezbollah'', é obrigatória a mesma frase conter a expressão ''apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8) Quando se menciona ''Israel'', é proibida qualquer menção à expressão ''apoiada e financiada pelos EUA''. Isso pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9) Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões ''Territórios ocupados'', ''Resoluções da ONU'', ''Violações dos Direitos Humanos'' ou ''Convenção de Genebra''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10) Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre ''covardes'', que se escondem entre a população civil, que ''não os quer''. Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de ''Covardia''. Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama Ação Cirúrgica de Alta Precisão''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11) Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redação (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama ''Neutralidade jornalística''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12) Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são ''Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade''.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto: Joelma de Couto / revista Forum&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-4712022091827525736?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/4712022091827525736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=4712022091827525736&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4712022091827525736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4712022091827525736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2009/01/as-12-regras-da-mdia-internacional-para.html' title='A midia grande e os padrões de manipulacão na cobertura da guerra de Israel'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_LobJVbmfjXk/SW6v6097DWI/AAAAAAAABaw/Ij83ps8Y09Y/s72-c/israel.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-4201970384764149134</id><published>2008-12-06T19:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-06T19:47:39.181-08:00</updated><title type='text'>Lembra daquele guerrilheiro louco que mataram na Bolivia?</title><content type='html'>Clique nos links e ouça a música revolucionária de Ismael Serrano e Silvio Rodriguez. Direto do coração da nossa America Latina. &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZK926hGidhc&amp;feature=related"&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; and &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PON4WEm5TbE"&gt;aqui&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-4201970384764149134?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.youtube.com/watch?v=PON4WEm5TbE' title='Lembra daquele guerrilheiro louco que mataram na Bolivia?'/><link rel='enclosure' type='' href='http://www.youtube.com/watch?v=PON4WEm5TbE' length='0'/><link rel='enclosure' type='' href='http://www.youtube.com/watch?v=ZK926hGidhc&amp;feature=related' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/4201970384764149134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=4201970384764149134&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4201970384764149134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/4201970384764149134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2008/12/lembra-daquele-guerrilheiro-louco-que.html' title='Lembra daquele guerrilheiro louco que mataram na Bolivia?'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2844397660521394784.post-3636807307300857165</id><published>2008-11-26T20:14:00.000-08:00</published><updated>2008-11-26T20:59:56.006-08:00</updated><title type='text'>Milton Santos: Por uma outra globalização</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CJAIMEA%7E1%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Primeiro, ela não é a única possível. Segundo, não vai durar como está porque como está é monstruosa, perversa. Não vai durar porque não tem finalidade."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;“Estamos vivendo, [....] uma formidável mudança de patamar na história da economia mundial,diante das concentrações extraordinárias que se estão dando nas duas áreas centrais da história contemporânea, isto é: a área do dinheiro e a área da informação. Não esqueçamos de que a nossa era caracteriza-se pela tirania do dinheiro e pela tirania da informação, sendo esta indispensável para que se exerça a tirania daquela”. &lt;/span&gt;[Entrevista com Milton Santos / Ciência Hoje/RJ 2001]. &lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CJAIMEA%7E1%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt; 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&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"   lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 0in 0in 0.0001pt;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CJAIMEA%7E1%5CLOCALS%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt; 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&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"   lang="PT-BR"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=_5aV-xDPEnI&amp;amp;feature=related"&gt;aqui&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2844397660521394784-3636807307300857165?l=comraivaepaciencia.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/feeds/3636807307300857165/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2844397660521394784&amp;postID=3636807307300857165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3636807307300857165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2844397660521394784/posts/default/3636807307300857165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://comraivaepaciencia.blogspot.com/2008/11/milton-santos-por-uma-outra-globalizao.html' title='Milton Santos: Por uma outra globalização'/><author><name>Jaime Amparo Alves. Com a licença poetica do guimarães rosa, foi nascido e cuspido do quente da boca do sertão naquele que ainda hoje é o melhor lugar do mundo. contato: amparoalves@gmail.com</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08534134781766405808</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
